"Silêncio é ensurdecedor." PSD acusa Governo de querer desviar atenções do Novo Banco

Deputado Duarte Pacheco fala em "cortina de fumo" usada pelo Governo para esconder a necessidade de uma nova injeção de capital no Novo Banco.

O deputado social-democrata Duarte Pacheco questiona, em declarações à TSF, o que é feito da promessa do Governo de que não seria usada a garantia de quase quatro mil milhões de euros que o Estado ofereceu aquando do contrato de venda do Novo Banco à Lone Star. Duarte Pacheco considera que o silêncio de Mário Centeno face aos recentes desenvolvimentos é "ensurdecedor".

"Vamos injetar - o Estado, os contribuintes, nós portugueses - mais 1100 milhões de euros no Fundo de Resolução para ser entregue ao Novo Banco e isto é inaceitável. Até agora, o ministro das Finanças não deu qualquer explicação ao país, não disse porque é que é preciso mais dinheiro. Aliás, quando foi feita a alienação, jurou a pés juntos - quer ele quer o primeiro-ministro - que isso não implicaria mais dinheiro público. Disse mesmo que não existia nenhuma garantia de Estado na venda, para o Fundo de Resolução para eventuais imparidades. Afinal existe e está a ser utilizada essa garantia, por isso é que o Estado vai ter que injetar mais dinheiro. O silêncio do Governo é ensurdecedor", atira o social-democrata.

Lembrando as palavras de Mário Centeno durante esta semana, em que garantiu não existir mais dinheiro para despesas, Duarte Pacheco denuncia que "o Estado prepara-se para injetar mais 1100 milhões de euros do dinheiro de todos nós para recapitalizar um banco sem dizer nada? É uma vergonha."

O ministério das Finanças já pediu uma auditoria às contas do Novo Banco, mas o deputado social-democrata defende que a mesma não é mais do que uma "cortina de fumo."

"Em casa roubada, trancas à porta. Nós avisámos desde o início que a venda tinha sido mal feita; o Governo jurou que era uma venda exemplar e que, ao contrário das anteriores, esta não ia custar dinheiro aos contribuintes. Aliás, que a alienação era só de 75% do capital e que 25% ainda é do Estado. Então, se 25% é do Estado, o que é que andou a fazer durante estes três anos? Qual é a importância do acionista? Afinal, aparentemente, nada sabe do que se lá passa e vai ter que pedir uma auditoria. O que é que andou a fazer o acionista para que, já com estes 1100 milhões, se atinjam 1900 milhões de euros de dinheiros públicos?", questionou.

A resposta chegou, no entanto, logo de seguida. "Sabemos o que é que o Governo quer fazer. Quer desviar as atenções, fingir que está surpreendido quando, por ventura, sabia desde o início que isto ia ser assim. Portanto, das duas, uma: ou mentiu ao país, ou foi leviano, ou quis mesmo enganar as pessoas. Perante tudo isto, as explicações têm que ser dadas sem subterfúgios, sem cortinas de fumo, sem nada para desviar as atenções da verdade. E a verdade é: nós - portugueses contribuintes - vamos meter mais 1100 milhões de euros dos nossos impostos no Novo Banco."

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