PSD e CDS acusam governo de ter escondido relatório sobre os incêndios

Duarte Marques e Telmo Correia referem-se à ocultação de informação por parte do Executivo de António Costa.

Duarte Marques acusa o governo de ter uma "conduta de ocultar ou de tentar não trazer a publico aquilo que pode ser incómodo", sendo o relatório agora divulgado uma prova disso.

"Este relatório vem acrescentar alguma informação àquilo que já sabíamos e confirmar que a avaliação após o ataque inicial que não foi suficiente, foi tardia e mal feita", justificou o deputado do PSD.

Na opinião do social-democrata o documento prova que "houve decisões tomadas tardiamente e que a avaliação do fogo não foi feita atempadamente", tendo em conta que "a própria autoridade competente que vem reconhecer as falhas".

Sobre as provas que não estão no relatório, Duarte Marques fala em "negligência", colocando de parte a ideia de que foi algo propositado. "As provas que não estão ali são circunstanciais do andamento da gestão do combate ao fogo, são documentos que estão apenas em papel, não há uma ferramenta de apoio à decisão por parte dos comandantes, são mapas feitos com régua, esquadro e uma caneta e que no meio da confusão acabaram por desaparecer. Não acredito que haja aqui algum propósito, acho que é negligência e falta de mecanismos de informação e verificação das decisões", justifica o deputado.

Já Telmo Correia não tem "a menor dúvida" de que o Governo escondeu o relatório da auditoria da Autoridade Nacional da Proteção Civil que foi tornado público esta quinta-feira, após a divulgação de uma notícia do jornal Público.

À TSF, o centrista explicou que "este relatório vem revelar o caos que existiu em termos de Proteção Civil, a impreparação de quem teve aquela responsabilidade, a incapacidade, e de factos, esses sim de natureza eventualmente criminal, ou não".

Questionado sobre se o governo tentou esconder o documento, Telmo Correia foi perentório: "Não tenho a menor dúvida, o Governo tem feito e seguido exatamente e sempre uma lógica de ocultar o que pode".

Apesar de ainda não ter lido o relatório por completo, Telmo Correia refere que se os partidos parlamentares não tivessem exigido a divulgação do documento ao governo, "nada poderia ter sido feito, a mera existência desse relatório mantinha-se secreta até hoje".

"Se é admissível que o relatório fosse remetido para o MP dada a gravidade dos factos, não é admissível que o Governo não tivesse sequer dito "deu entrada um relatório, deu ou não deu origem a processos disciplinares, existe matéria grave e do foro criminal e o relatório vai ser remetido para o MP", frisou o deputado do CDS.

Telmo Correia assegura ainda que todas as conclusões podiam ter sido conhecidas "há seis meses". "Daqui terão de ser tiradas consequências e o próprio governo terá de vir dizer que consequências tirou para além daquelas que podem ser consequências obviamente do ponto de vista criminal, presumo que possa haver consequências disciplinares ou outras. É uma matéria que o governo tem que responder e esclarecer", explicou.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados