Vistos gold a chineses já pagavam dois aeroportos do Montijo

São os campeões do programa que o Governo PSD/CDS lançou no final de 2012. Mais do que um passaporte português, vêm à procura de uma porta de entrada na Europa e, para isso, estão dispostos a pagar milhões de euros.

Se um chinês, sozinho, consegue investir em Portugal qualquer coisa como 3.200 milhões de euros, quanto é que acha que 4.180 chineses já investiram?

Foi este o número de vistos de residência que já foram passados a cidadãos chineses nos últimos seis anos. Até agora nenhuma outra nacionalidade conseguiu tantos vistos gold em Portugal. O retorno é evidente: entre o final de 2012 e o primeiro trimestre deste ano, os mais de quatro mil cidadãos chineses que conseguiram o visto dourado, já investiram em Portugal 2.392.589.206,32 euros. Dito de outra forma, quase dois mil e quatrocentos milhões de euros. Dinheiro suficiente para pagar dois novos aeroportos no Montijo. Ou o total da despesa que o Governo terá este ano com as Forças Armadas.

Rejeições, também já houve algumas. Poucas. Em pouco mais de seis anos de programa, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras só recusou 187 pedidos de vistos gold a cidadãos chineses, quase todos por não cumprirem os requisitos legalmente exigidos.

Onde para o dinheiro?

Se um dos principais propósitos da criação dos vistos gold era a atração de investimento estrangeiro, reprodutivo e criador de emprego, os chineses claramente não alinharam nesta última parte. Dos quase dois mil e 400 milhões de euros que vieram da China para Portugal, em troca de um visto gold, a quase totalidade foi investida em imobiliário.

De acordo com os dados do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, mais de dois mil e trezentos milhões de euros foram aplicados na aquisição de imóveis. Prédios, apartamentos, casas, quintas, o investimento chinês - que resultou dos vistos gold atribuídos pelo Estado português -, foi quase sempre direcionado para o imobiliário. O resto, pouco mais de 50 milhões de euros, foram transferências de capital.

O ano de 2014 foi, claramente, o que registou mais vistos de residência a cidadãos chineses. Mais de 1.200 vistos, que resultaram em mais de 700 milhões de euros de investimento.

Em 2013, pelo contrário, foi quando se registou o mais baixo número de vistos atribuídos a chineses. Menos de 400, que significaram a entrada de 229 milhões de euros em território português.

Um 2019 com menos chineses e mais brasileiros

No primeiro trimestre deste ano registou-se uma quebra de 41%, face ao período homologo. Entre janeiro e março, entraram em Portugal 59,6 milhões de euros, que comparam com os 101.307.407,16 euros registados em igual período de 2018.

Segundo os dados estatísticos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, até março foram atribuídos 107 vistos "dourados" a cidadãos chineses, contra 183 autorizações de residência atribuídas em igual período do ano anterior.

Já o investimento brasileiro aumentou 3,3% no trimestre, para 43.253.600,72 euros, tendo sido concedidos 58 vistos até final de março. No primeiro trimestre de 2018 tinham sido atribuídos 49 vistos gold a cidadãos brasileiros, num total de 41.895.398,75 euros captado através deste mecanismo.

Relativamente ao investimento turco, este registou uma quebra de 58% nos primeiros três meses do ano, face ao período homólogo de 2018, para 18.408.022,17 euros. No trimestre foram atribuídos 36 ARI a cidadãos turcos, contra 81 concedidos no período homólogo do ano passado, quando o investimento captado ascendeu a 44.211.847,09 euros.

Na lista das cinco nacionalidades mais representativas no âmbito das autorizações de residência, a novidade neste primeiro trimestre é o investimento oriundo dos Estados Unidos e Vietname, que substituem a África do Sul e Rússia que integravam a mesma há um ano.

No primeiro trimestre foram atribuídos 14 vistos gold a cidadãos dos Estados Unidos, num investimento total captado de 9.423.000,00 euros, e o Vietname viu serem concedidas 12 autorizações, no montante de 4.855.000,00 euros.

Os vistos gold atribuídos a chineses, ano a ano

2013

Autorizações de residência: 394

Investimento total: 229.033.689,62€

Investimento em imobiliário: 220.887.845,42€

Transferência de capital: 8.145.844,20€

2014

Autorizações de residência: 1235

Investimento total: 710.996.841,80€

Investimento em imobiliário: 693.332.658,32€

Transferência de capital: 17.664.183,49€

2015

Autorizações de residência: 573

Investimento total: 326.960.141,66€

Investimento em imobiliário: 320.200.141,66€

Transferência de capital: 6.760.000,00€

2016

Autorizações de residência: 848

Investimento total: 487.492.024,01€

Investimento em imobiliário: 481.481.942,32€

Transferência de capital: 6.010.081,69€

2017

Autorizações de residência: 538

Investimento total: 306.397.093,97€

Investimento em imobiliário: 302.380.438,97€

Transferência de capital: 4.016.655,00€

2018

Autorizações de residência: 485

Investimento total: 271.655.314,60€

Investimento em imobiliário: 266.434.893,22€

Transferência de capital: 5.220.421,38€

2019 (até 31 de março)

Autorizações de residência: 107

Investimento total: 59.619.100,65€

Investimento em imobiliário: 57.478.100,65€

Transferência de capital: 2.141.000,00€

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