"A alegria é um ato de resistência." Há circo no Coliseu do Porto, 100% em português
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"A alegria é um ato de resistência." Há circo no Coliseu do Porto, 100% em português

Esta sexta-feira, o Coliseu do Porto abre portas ao circo. Será um dos poucos a funcionar no país em ano de pandemia. E também o maior espetáculo do mundo teve de se adaptar e inovar. O circo é quase 100% nacional.

O palco é de artistas portugueses, alguns emigrantes, ou de estrangeiros que vivem em Portugal. Minutos antes do início do ensaio geral; há artistas a fazer exercícios de aquecimento, perto do palco, os técnicos acertam com o palhaço Quim Jó a qualidade de som dos microfones; no fundo do palco, músicos e maestro acertam os últimos pormenores.

O circo, no Porto, este ano é diferente, e não é por acaso. Mónica Guerreiro, presidente da direção do Coliseu Porto Ageas, fez questão de aliar tradição e inovação, em português. Porque, em 2020, só podia ser assim.

"Preparamos um circo muito especial. Todo em português, no qual intérpretes, músicos, acrobatas, trapezistas e todos os elencos artísticos foram recrutados a partir dos mais talentosos artistas a trabalhar em Portugal. E foi uma opção estratégica. Temos consciência que o setor cultural em Portugal está numa fase de grande fragilidade e o Coliseu não podia alhear-se a isso".

O espetáculo condiz com 2020, por isso vai surpreender. "Optamos por fazer acompanhar o circo de uma interpretação ao vivo, em todas as sessões com orquestra de uma banda sonora original."

Com experiência do cinema e no teatro, Filipe Raposo não se ensaiou para aceitar a encomenda. "Pude escrever uma música que vai estar a interagir diretamente com cada número e isso cria tos um ambiente de fantasia necessário para que o número tenha efeito. Claro que disse logo que sim."

Três meses e meio depois, o resultado está nas mãos do maestro Cesário Costa e de 15 músicos. Outra figura central e em destaque no circo do Coliseu Porto Ageas é o mestre de cerimónias, que atua pela primeira vez no seu país. Rui Paixão foi o primeiro português a integrar o Cirque du Soleil. Vestido com um fato rosa claro, exibe uma peruca, da mesma cor, cujos fios enrolam-se em forma de cone junto às orelhas. Os olhos carregados num rosto pintado de branco compõem o boneco.

"Inspirei-me num álbum da banda The Idols, e no lema de que a alegria é um ato de resistência. Eu costumava dizer que o circo chegou à cidade, aqui parece que é o contrário. É a cidade que está a chamar pelo circo. Tudo passará. É uma jornada que estamos a lutar todos juntos. Manter o otimismo, manter a esperança, e tudo vai ficar bem no fim. É essa a esperança."

Daniel, Leonardo, Diana, Miguel, Mónica, Bruno, entre outros, partilham o palco do Coliseu com Rui. O circo, aqui, resiste.

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