A arte de Júlio Pomar a captar rostos em exposição até fevereiro

O Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, estreia uma exposição de retratos e autorretratos que o pintor fez ao longo de 70 anos, incluindo imagens de Mário Soares, Lévi-Strauss, Samuel Beckett e Mariza.

A exposição "O desenho impreciso de cada rosto humano, refletido. Retratos de Júlio Pomar" é inaugurada esta quinta-feira, no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa. A mostra, com curadoria de Sara Antónia Matos e Pedro Faro, conta com cerca de 50 retratos criados pelo pintor, atravessando diversas fases de criação, desde a década de 1940, até ao ano da morte, em 2018.

Muitos dos retratos do pintor fazem parte do imaginário português e revelam as relações que o artista foi estabelecendo com várias pessoas ao longo da carreira, quer do círculo mais pessoal, quer com figuras notáveis de diferentes domínios da sociedade portuguesa e mundial.

"Há muitos retratos sempre de Fernando Pessoa e isso já é da nossa memória. Mas temos pintores, fadistas, o retrato de Levi Strauss, Vasco Graça Moura, atrizes de teatro como Ruth Escobar", conta Sara Antónia Matos, diretora do Atelier-Museu.

A exposição pretende mostrar a versatilidade do pintor, que usava qualquer meio plástico para "captar as características fundamentais de cada rosto, sendo que elas não são estanques, incluindo os do próprio pintor, aqui numa pintura que é o duplo autorretrato, em que se retrata quando criança e agora em adulto".

Sara Antónia Matos destaca um retrato que Júlio Pomar fez de Siza Vieira e outro desenho que o arquiteto fez do pintor, ambos disponíveis na mostra. "De facto, o edifício é recuperado e assinado pelo arquiteto Siza Vieira, que era amigo de Júlio Pomar, e contém a obra de Júlio Pomar. Há aqui esta dupla simbiose", detalha.

Bocage, Carlos do Carmo, Cristina Branco, Mariza, Claude Lévi-Strauss, Camões, Baudelaire, Mallarmé, José Cardoso Pires, Graça Lobo, Tereza Martha, Maria Lamas, Almada Negreiros, José Manuel Galvão Teles, António Victorino de Almeida, Dante Alighieri, Mário de Sá-Carneiro, Vasco Graça Moura, Ruth Escobar, Humberto Delgado, Orlando Costa, Ilse Llosa, Eugénio de Andrade, Mário Dionísio, Alice Jorge, Manuel Vinhas, entre outras personalidades, estão retratados nesta mostra.

Com esta exposição, os curadores procuraram expor retratos por ser um género a que o pintor foi regressando sempre ao longo da carreira.

"Ele começa em criança, faz um retrato logo com 16 anos. Mostramos aqui nesta exposição cadernos de infância já com retratos. Depois, no neorrealismo, faz outro tipo de retratos mais naturalistas, mais aproximados da realidade. Mostramos ainda os desenhos desse período de Caxias, enquanto esteve preso. Depois, retratos dos anos 70, mais geométricos, mais sintéticos. Depois, de um período seguinte, dos anos 80, mais gestuais, com uma pluralidade de cores vibrantes. E depois, da última fase, muito espontâneos, coloridos", indica a curadora.

A exposição "O desenho impreciso de cada rosto humano, refletido. Retratos de Júlio Pomar" pode ser visitada no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, até 28 de fevereiro, uma mostra que é sobretudo um espelho das relações de Júlio Pomar ao longo de 70 anos.

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