A Cidade Maquete

O livro já era um esquiço na cabeça de João Vieira. Homem de imaginação vadia e com apetite pela palavra, João Vieira reinventou a vida na cidade de Vila Nova de Santo André. Os bairros e os nomes destes são reais, as personagens saíram da cabeça dele para as ruas, para as casas, e para o papel. De projecto a romance, o livro anuncia também uma nova editora. Viva a Preguiça. João Vieira e Paulo Andrade parecem gostar das mesmas coisas.

Flor do Tejo

Encostado à margem do rio, o pequeno bar com esplanada sobre o Tejo, é um lugar de intimidade, mesmo nos dias de alguma confusão. De sexta a domingo, é ali que João Vieira e Paulo Andrade nos convidam a sentar e a estar. Lá dentro a mais pequena galeria do mundo, "provávelmente", a que deram o nome de Lilliput, situa-se à direita do balcão. As paredes do bar revelam objectos com história e fotos que ilustram a tradição. Servem-se almoços e petiscos, bebe-se um café, ou o que apetecer. Também se podem ver filmes, ou assistir a concertos, ou ouvir dizer poesia. Tudo flui, como a conversa espreguiçada, com vista para o rio.

Um gravador, um livro, e uma mão cheia de projectos. Estes dois, João Vieira e Paulo Andrade, são duas ricas personagens.

Viva a Preguiça

Paulo Andrade é editor e alfarrabista. Os livros sempre andaram por perto. Agora é que foi, nem a pandemia travou o sonho de se aventurar pelos livros, com uma nova editora. Viva a Preguiça, porquê? "O ócio está na base da criação intelectual ", responde, " não é o ócio de estar propriamente de barriga para o ar, mas termos o contexto para não pensar em mais nada, e neste caso é o ócio para a produção literária". A ideia é dar a conhecer autores " conhecidos mas esquecidos". Quando o livro de João Vieira, se aprontou, juntou aos 'idos' iniciais, também autores desconhecidos.

A Cidade Maquete

Alguns dias começam assim. Este é o ponto de partida para a história que faz mexer a cidade de Vila Nova de Santo André, a única construída de raiz em pleno século XX, durante o Estado Novo. "Quando visitei a cidade há 2 anos, tive logo a ideia de escrever o livro", explica o autor, que anuncia desde já que o próximo já vem a caminho, e de novo, mergulhando num lugar submerso, a aldeia de Vilarinho das Furnas, no Gerês. "Descobri que sou um escritor geográfico, gosto de terras e de lugares", sinaliza João Vieira, cuja imaginação parece destravada, ao ponto de nos fazer crer que há duas dezenas de romances em construção, na sua cabeça.

Para já é a Cidade Maquete que podemos visitar. Um livro cuidado na palavra e na forma "um livro é importante, tinha de ser bonito".

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