"A crise nunca terminou." Leonardo Padura lamenta "silêncio mediático" em Cuba

O autor do livro "Como Poeira Ao Vento" falou da experiência em Cuba e explicou que existe falta de reconhecimento ao seu trabalho, algo que acontece, segundo o próprio, como um "castigo" pelo que escreve.

Leonardo Padura é um dos convidados do Festival Literário 5L, que decorre de 4 a 8 de maio, em Lisboa. O escritor falou da situação atual de Cuba, depois da prisão de mais de uma centena de pessoas, condenadas em fevereiro, na sequência dos protestos e manifestações de julho do ano passado.

O autor cubano, que, na altura, escreveu que nada voltaria a ser como dantes em Cuba, diz agora que a angústia e o desespero continuam a fustigar a população do país, sem sinais de abertura que permitam antecipar um futuro melhor.

Durante uma presença na Casa da América Latina, apresentou, ao lado de Paulo Portas, o mais recente livro, "Como Poeira Ao Vento" e diz esperar que Cuba "seja uma sociedade na qual as pessoas possam viver honestamente do fruto do seu trabalho", porque, na sua opinião, "isso não se consegue há muitos anos, desde que, nos anos 90, a crise chegou a Cuba". Para Leonardo Padura, "a crise nunca terminou", apesar de existirem "momento mais calmos e outros momentos mais agudos".

O ex-líder do CDS-PP questionou o cubano como é que enfrenta o dilema de escrever sem constrangimentos e continuar a viver em Cuba e Leonardo Padura respondeu que escreve "até ao limite do necessário".

"Imagine que eu tenho todos os reconhecimentos que um escritor cubano pode ter, como o prémio nacional de literatura, mas eu pago por dizer o que digo e escrever o que escrevo. Esse é o preço do silêncio mediático cubano", explicou.

O escritor Leonardo Padura afirmou que não aparece nos jornais em Cuba e não o entrevistam, algo que, segundo o próprio, "é o castigo que recebo por escrever o que escrevo". Contudo, refere que vai continuar "a fazê-lo no futuro".

O Festival Literário 5L - Língua, Literatura, Livros, Livrarias e Leitura - realiza-se entre 4 e 8 de maio, em vários palcos de Lisboa. Durante a noite, a sala nobre do Teatro São Luíz vai receber concertos e espetáculos "que combinam letra e música num impulso de aproximação à literatura percorrido tanto a capella como em samba, em hip-hop, ao som da viola campaniça ou num tom de morabeza e sodade", revela a José Pinho, o diretor artístico do evento.

Nos palcos mais pequenos, a organização promete "leituras encenadas de que se compõe a faceta performativa" do festival.

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