A nova jóia do flamenco atua este fim de semana em Portugal

Rocío Marquez vai atuar este sábado, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, e domingo na Casa da Música no Porto.

Rocío Marquez é uma das mais prestigiadas vozes do flamenco contemporâneo. Aos 34 anos, a cantora huelvense vai estrear-se em Portugal, este sábado em Lisboa e domingo no Porto, para apresentar o disco 'Visto en El Jueves', considerado em Espanha um dos melhores álbuns de flamenco de 2019.

O caminho de Rocío vem-se construindo desde 2009 com"Aquí y Ahora" , em 2012 "Claridad", "El Niño" chegou em 2014 (ano em que gravou para a Deutsche Gramophone "Falla: La Vida Breve" com a Orquestra Nacional Espanhola dirigida pelo Maestro Josep Pons) e "Firmamento" em 2017. Em 2018 colaborou com Fahmi Alqhai em "Diálogos de viejos y nuevos sones" e em 2019 assinou com `Visto en El Jueves` um outro diálogo entre o antigo e o novo, com a reinterpretação de autores mais velhos, com o virtuosismo e a elegância de uma cantora que é, neste momento, símbolo de uma nova geração dos cantores de flamenco.

Antes de subir aos palcos portugueses falou à TSF desta estreia no nosso país e sublinhou como o flamenco é pó que respira desde criança. "Na minha família ninguém se dedicava ao cante profissionalmente mas, o meu avô, a minha mãe e a minha prima cantam muito bem e eu, desde pequena ouvia e desde pequena cantava. Chega um momento em que está tão vinculado com a tua forma de te expressares que me chega a acontecer ter algo na cabeça, não saber como expressá-lo e ocorre-me a letra de uma canção. Acho que acontece o mesmo com o fado. O peso que tem, a raíz que tem, a ligação com os teus avós, com os teus antepassados, com a tua terra... É muito mais do que um estilo de música."

Visto En El Jueves, título do mais recente disco de Rocío Marquez, faz referencia a um mercado de Sevilha onde a cantora vai procurar coisas antigas; discos e outros objetos. "É um mercado de segunda mão onde podes encontrar todo o tipo de objetos e o que é maravilhoso é que podes ser sempre surpreendido com algo. Encontro sempre coisas que não esperava. Procuro muito discos de vinil, cassetes e adoro porque descubro artistas que não são tão populares mas fizeram coisas maravilhosas". Acredita que são "pequenas jóias" que recupera, cantes que encontra nos vinis e nas cassetes, e que devolve à memória coletiva mas passando-as pelo filtro actual dos nossos dias, uma maneira de revisitar esse cante e essas canções mas nunca uma reinterpretação fiel ao original.

Ao contrário do disco anterior, "Firmamento", com muitos músicos e instrumentos, em "Visto en El Jueves", Rocío quis voltar a uma espécie de essência do flamenco apenas com a guitarra de "Canito"(Juan António Suarez) e com a percussão de Agustin Diassera.

Para além disso, sentiu "ganas" de produzir o disco e confessa, com um largo sorriso, que, no fundo, é um pouco mandona. Gostou da experiência mas diz que no próximo talvez produza alguns temas e convide outros produtores para trabalhar outras canções.

Chega a Portugal para espetáculos em Lisboa e no Porto e não esconde que quando ouve fado "emociono-me como quando oiço flamenco. São estilos muito enraizados na tradição e muito emocionais."

Rocío Marquez vai atuar este sábado, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, e domingo na Casa da Música no Porto.

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