"Abrir agora os cinemas é o mesmo que abrir supermercados com prateleiras vazias"

A associação de defesa de audiovisuais quer o adiamento da abertura de salas de cinema, e justifica o pedido endereçado ao Governo com os custos que as empresas terão em relação aos baixos rendimentos previstos nesta altura de pandemia.

"Abrir agora os cinemas é a mesma coisa que abrir os supermercados com prateleiras vazias ou com artigos de stock antigo, é a mesma coisa que ter produtos fora de prazo: ninguém quer ver." É António Paulo Santos, diretor-geral da Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais, que o veicula, em declarações à TSF.

A associação que representa o setor audiovisual enviou uma carta ao primeiro-ministro e aos ministérios da Cultura e da Economia com um pedido para que seja adiada a reabertura das salas de cinema. O Executivo estipulou que o regresso deveria ocorrer em junho, mas quem gere as salas pede mais um mês. E os argumentos utilizados pelo diretor-geral da associação são vários: em primeiro lugar, a travagem abrupta que a pandemia espoletou nas produções cinematográficas, o que faz com que não haja filmes novos.

"O primeiro filme com capacidade mobilizadora de levar pessoas aos cinemas, a primeira estreia, que é uma estreia mundial, só chega a 17 de julho", argumenta o representante da Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais. António Paulo Santos salienta que "abrir a 1 de junho é completamente irrealista e pode ter efeitos perversos nas empresas, que estão sujeitas a abrir".

Os "efeitos perversos" a que António Paulo Santos se refere são os custos de manter as salas abertas em junho. No entanto, as empresas estão perante um dilema: se não abrirem ao público, arriscam-se também a pagar pesadas multas aos centros comerciais onde os cinemas estão instalados.

"Se abrirem sem produto, têm as despesas inerentes aos salários e as despesas normais de exploração. Se não abrirem, além dos custos que já teriam com o pessoal em caso de abertura - porque perdem o lay-off -, têm adicionalmente os custos das pesadas sanções pecuniárias que os contratos de arrendamento entre os cinemas e os centros comerciais preveem."

As salas de cinema estão fechadas há dois meses, e a Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais acredita que ainda não é tempo de retomar a atividade, devido às "rendas enormes" e a todos os outros custos associados à atividade.

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