Afonso Reis Cabral é o vencedor do Prémio Saramago

A obra "Pão de Açúcar" valeu o prémio ao jovem escritor de 29 anos.

Afonso Reis Cabral é o grande vencedor da 11.ª edição do Prémio Literário José Saramago. O escritor português, de 29 anos, foi distinguido pelo romance "Pão de Açúcar" (2018), baseado no caso da transexual Gisberta, assassinada por um grupo de adolescentes, em 2006, no Porto.

Licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos, Afonso Reis Cabral publicou a primeira obra aos 15 anos, o livro de poesia "Condensação". Em 2014, venceu o prémio LeYa com o primeiro romance, "O Meu Irmão", cujo protagonista fica com a custódia do irmão Miguel, com síndrome de Down, depois da morte dos pais.

Em 2017, foi-lhe atribuído o Prémio Europa David Mourão-Ferreira na categoria de Promessa, e, em 2018, o Prémio Novos na categoria de Literatura.

Trineto de Eça de Queiroz, estreou-se recentemente na literatura de viagens com o livro "Leva-me Contigo", um relato pessoal da viagem que fez a pé, entre abril e maio deste ano, ao longo da mítica Estrada Nacional 2.

A Fundação Círculo de Leitores, responsável pela atribuição deste galardão bienal, distingue-o agora pelo contributo na literatura lusófona.

O júri do prémio, que tem valor pecuniário de 25 mil euros, é composto por Guilhermina Gomes, Ana Paula Tavares, António Mega Ferreira, Nelida Piñon e Pilar del Río.

Homenagem à figura do Nobel da Literatura, José Saramago, o prémio criado em 1999 afirma-se como um dos mais importantes galardões literários atribuídos no âmbito da lusofonia a autores com obra publicada em português, e com idade não superior a 35 anos.

Foram distinguidos em anos anteriores: Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Adriana Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo, Andréa del Fuego, Ondjaki, Bruno Vieira Amaral e Julián Fuks.

Guilhermina Gomes é um dos elementos do júri que antecipa uma longa e promissora vida literária ao jovem Afonso Reis Cabral: "Nós, como membros do júri, estamos sempre a ponderar, a pensar, a refletir sobre as possibilidades que aquele que nós escolhemos como vencedor poderão vir a ter. Normalmente, todos estão ai a confirmar a importância deste prémio nas suas vidas literárias. A produção intelectual de todos eles confirma que este é um prémio de grande relevância para jovens escritores e auguramos ao Afonso Reis Cabral uma longa vida literária."

A ministra da Cultura Graça Fonseca destaca a qualidade literária de Afonso Reis Cabral e o trabalho que deu origem à obra: a história do assassinato de Gisberta, uma transsexual do Porto: "Esta é uma obra importante e é um prémio importante, porque é não só a qualidade literária do Afonso - que apesar da sua juventude já tem um percurso literário muito importante - mas acima de tudo pelo trabalho difícil que ele foi escolher, pelo percurso difícil que ele foi falando com as pessoas, com os protagonistas com quem, no fundo, participou nessa história e nos traz de volta algo que nós não queremos recordar, mas que temos de recordar: temos de tratar sempre os outros com a dignidade e a humanidade que eles merecem."

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de