Alors, começa a Festa do Cinema Francês com "Amor À Segunda Vista"

Em Lisboa até dia 13. Em várias cidades do país durante o mês, entrando em novembro. A festa do cinema francês arrancou no cinema São Jorge com uma comédia romântica chamada "Amor À Segunda Vista".

Joséphine Japy, 25 anos, está em Lisboa pela segunda vez. Encanta e encanta-se em Portugal ou não fosse atriz principal de um filme realizado por um apaixonado por este país, Hugo Gelin, co-argunentista de "Gaiola Dourada", do luso-francês Ruben Alves, com Rita Blanco e Joaquim de Almeida. À TSF, Joséphine não esconde o encantamento: "É a minha primeira vez neste festival em Lisboa, mas já cá estive antes e adorei. Agora, foi uma ótima ocasião para vir com o Hugo, que conhece bem e ama verdadeiramente Portugal e que me tem falado de coisas ótimas".

"Mon Inconnue" no título original, "Amor À Segunda Vista", é uma mistura da identidade francesa do realizador com a sua cultura cinematográfica mais anglo-saxónica: "o que me interessa é sobretudo a universalidade das propostas e dos sujeitos", sejam franceses, ingleses, espanhóis ou portugueses. E que, no final, "haja uma identidade que não seja apenas francesa, mas que seja universal para mim", diz o realizador deste filme que estreará no circuito comercial português apenas em fevereiro. "É isso que procuro no cinema, contar uma história universal, e de a propor o mais possível a todo o público", saindo dos parâmetros mais específicos "franco-franceses". O realizador reconhece a importância, para si, de ter "um cinema que se exporte o mais possível".

Uma certa manhã, um escritor chamado Raphaël Ramisse acorda e a sua vida levou uma volta que jamais poderia ser capaz de imaginar; a mulher, Olivia, é agora uma pianista famosa e não o reconhece e afirma que nunca o viu. Pelo contrário, ele sabe tudo dela e sobre ela, e, com a ajuda do melhor amigo, vai tentar, numa busca temporal, reconquistar alguém para quem passou a ser um desconhecido. No fundo, trata-se de m filme para saber qual seria a nossa existência sem conhecermos o homem ou a mulher da nossa vida.

Devemos correr mais atrás dos nossos sonhos? "Devemos correr menos na vida. Hoje faz-se tudo muito depressa. Sim, devemos ir atrás dos sonhos mas mais calmamente. Creio que é altura de pararmos e fazermos tudo com mais tempo", afirma Japy. Se o sonho "é sincero", afirma, "chegaremos lá". Ou seja, mais do que correr, o que importa "é caminhar e chegar", diz a jovem atriz na entrevista à TSF, horas antes da primeira apresentação do filme em Portugal.

Olívia, a personagem de Joséphine Japy, é uma mulher discreta que passa a ser uma estrela da música clássica, um dois em um que foi estimulante para a atriz: "completamente. A jovem que se apaixonou por Raphael e depois a pianista consagrada internacionalmente, pelo que são dois personagens bastante diferentes o que é verdadeiramente estimulante, por poder explorar o papel de duas mulheres tão diferentes".

Comédia romântica moderna, este filme de Hugo Gélin conseguiu provocar na atriz principal alguns sentimentos contraditórios: "ao ler, sozinha em casa, o guião do filme, ri e chorei muito". Houve alturas em que as lágrimas lhe corriam cara abaixo de forma incontrolável e, outras houve em que não conseguia parar de rir. "Chorar numa página e rir na semana seguinte". Com breves incursões na ficção científica, o filme da noite de abertura da Festa do Cinema Francês é carregado de humor e sensibilidade.

Além da capital portuguesa, Setúbal, Almada, Coimbra, Porto, Leiria, Portimão e Beja são as oito cidades que recebem a grande celebração do cinema francês, cuja festa em solo português está a comemorar o vigésimo aniversário.

A Festa do Cinema francês, apresenta vinte e dois filmes em antestreia, oferece a oportunidade de descobrir procurando refletir a vitalidade e a diversidade das mais recentes produções cinematográficas francesas em diferentes géneros. Gente do cinema como Anne Fontaine, Agnès Jaoui, Rémi Besanzon e Thomas Lilti vão estar entre os convidados, além do realizador e atriz protagonista do filme desta noite.

Vai haver também oportunidade para rever grandes clássicos da sétima arte francesa numa colaboração dos organizadores com a Cinemateca Portuguesa, num ciclo dedicado a Jean-Louis Trintignant. A festa presta também homenagem a uma das últimas amigas do malogrado ícone da música popular contemporânea Jim Morrison (sim, o dos Doors), a cineasta francesa Agnès Varda , incluindo o seu último "Varda par Agnès" que terá no festival a sua antestreia.

Organizada pela Embaixada de França, o Instituto Francês e a Serena Productions, em parceria com a rede das Alliances Françaises e a UniFrance Films, esta vigésima edição da Festa decorre até 8 de Novembro em oito cidades portuguesas.

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