"Alors on danse." Stromae, o grande maestro da primeira noite do NOS Alive

O músico belga-ruandês, de 37 anos, provou que a música não tem fronteiras. Deixou o público a dançar em delírio e em francês.

Terá sido provavelmente a primeira vez que se cantou e dançou em francês, no palco principal do NOS Alive. Mas ao final dos primeiros minutos, Stromae, a quem o suor não retirou nunca o sorriso travesso, já não teria dúvidas de que o público, à sua frente, estava rendido e era conhecedor de grande parte das canções que levou para fechar em grande a primeira noite do festival.

Aos 37 anos, Paul Van Haver, filho de um pai ruandês e de mãe belga, ilustra bem o mapa-mundo da música. Influenciado pelos sons de África, da América Latina, pelos ritmos de dança e admirador profundo de Jacques Brel, Stromae prova ser um verdadeiro maestro de todas essas inspirações musicais e visuais, como traduz, invertendo as sílabas, o nome artístico que escolheu.

A abrir o concerto, Portugal surgiu no mapa, assinalado a vermelho, num espetáculo em que o cenário visual e cénico foi cuidado cuidado ao detalhe: da iluminação, às animações que intercalaram e acompanharam as canções, ao guarda-roupa e às coreografias ondulantes de Stromae.

Além de personificar um verdadeiro planeta musical, Stromae tem a maestria de abordar temas difíceis, como a depressão ("L"Enfer"), o confinamento ("La Solassitude"), o papel das mulheres e a ausência paternal com um ritmo e elegância, tornando possível que o cérebro reflita e o corpo dance.

Quem, na quarta-feira à noite, acorreu ao palco principal do NOS Alive saiu de coração cheio. Não faltaram os grandes êxitos como "Papaoutai", do seu segundo disco, inspirado no pai, primeiro ausente e depois morto no genocídio do Ruanda, ou "Alors on dance", um dos momentos em que o público mais correspondeu.

Mas foram também apresentados temas do novo trabalho "Multitude" de onde se destaca "Invaincu", canção escrita depois de Stromae ter ultrapassado um longo período de convalescença, resultado de uma reação adversa a um medicamento contra a malária.

Já perto do final, Stromae deixou uma longa lista de agradecimentos que abarcou os quatro músicos que com ele estiveram em palco, mas alargou-se dos condutores dos camiões que transportam o material até ao designer do sofá que fez parte da cenografia do palco.

Depois de canções como "Mauvaise journée"/"Bonne journée", que juntou qual verso e reverso de um dia, "Formidable", "Santé" e "Tout les Mêmes", Stromae e os seus músicos ainda regressaram para pedir silêncio a uma multidão de milhares. E fez-se o silêncio (possível) para ouvir "Mon Amour", entoado à cappella, antes de ribombarem os aplausos de uma plateia rendida.

A julgar pela noite de ontem, a estreia em Portugal terá sido, apenas, a primeira de muitas visitas do maestro Stromae.

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