Ana Tijoux no FMM Sines: "Precisamos de uma nova utopia"
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Ana Tijoux no FMM Sines: "Precisamos de uma nova utopia"

A rapper chilena está cá e lá: "Ansiamos que acabe a Constituição de Augusto Pinochet para que tenhamos uma Constituição que represente todos os chilenos." Do desejo à realidade, há pouco mais de um mês, a campanha para o referendo de 4 de setembro é mais um momento de tensão num país "explosivo e habituado a sobreviver aos terramotos". Ana Tijoux abraça a linguagem de uma nova utopia "sem abdicar dos sonhos dos anos 1970, mas com uma linguagem de 2022".

"Colectivo, colectivo, colectivo", repetiu Ana Tijoux, em jeito de dueto com o público, quando disparou a música seguinte, homenageando todas as organizações que fora do sistema lutam pela justiça e pela dignidade do próximo. Falou das crises sociais, agravadas pela pandemia, dos massacres, da guerra, e sinalizou no mapa do concerto países como o Panamá ou a Bolívia, na América Latina, ou a Palestina no Médio Oriente: "Não há utopia sem coletivo", voltou a rapper chilena a dizer no palco, horas depois de uma breve conversa com os jornalistas, onde quis também deixar essa mensagem: "A utopia não é um poster, temos de continuar a caminhar com a herança dos anos 1970 e da nossa família, mas o mundo mudou e, com a extrema-direita a ganhar terreno, é preciso repensar uma utopia com linguagem de 2022."

Será utopia acreditar que os chilenos vão finalmente derrubar a Constituição de Augusto Pinochet, no referendo marcado para 4 de setembro?

Ana Tijoux acredita que vai acontecer. "Queremos uma Constituição que represente todos os chilenos", refere a rapper chilena falando sobre o novo texto da lei fundamental, e em plena campanha para a consulta popular fala de "um momento tenso, com muita desinformação, e com a extrema-direita empenhada em atemorizar e desacreditar" os ventos da mudança no país, perante a vitória de Gabriel Boric nas presidenciais de março.

Repete a expressão "bomba del tiempo", para desenhar um país que está em permanente pressão, mas "habituado aos terramotos, políticos também".

Cacerolazo, a música que escreveu para os estudantes chilenos, obreiros do protesto em outubro de 2019, motivados pelos aumentos dos transportes públicos, ainda com Sebastiian Piñera na Presidência, foi um dos temas do alinhamento da noite passada no castelo de Sines.

Há um novo disco em construção, mas a rapper que nasceu em Paris, de pais exilados durante a ditadura, ainda não revela datas: "Estou a escrever, cada tema é uma divisão da casa, o quarto, a cozinha, a sala, para mim um disco é como a construção duma casa."

E quanto ao movimento feminista no mundo das artes, "está na moda sim, mas o feminismo que me move e que me emociona é o feminismo popular e de classes".

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