Candelabro: o exemplo de Aristides ilumina o presente

Exposição mostra vídeo-escultura sobre os dias do cônsul português em Bordéus que, em junho de 1940, emitiu milhares de vistos para salvar judeus em fuga do terror nazi.

É no salão nobre da Fortaleza de Peniche que se revela a exposição Candelabro ASM - Aristides de Sousa Mendes: o Exílio pela Vida e se descobre a escultura multimédia que convida os visitantes a refletir sobre a experiência do Holocausto.

A origem do Candelabro, explica Gérald Sousa Mendes, neto de Aristides, está relacionada com Auschwitz e com a chamada Marcha da Morte.

"À noite, eles viam as estrelas e para sobreviver ao frio e à fome imaginavam que as estrelas eram candelabros, e isso dava-lhes força", explica.

Sebastian Sousa Mendes, outro neto de Aristides, ouviu a história, enquanto criança, em serões na casa da família, da boca de antigos prisioneiros dos campos de concentração nazis.

Na perspetiva de Gérald Sousa Mendes, há uma ponte com a atualidade no exemplo do cônsul português em Bordéus que desafiou ordens superiores para emitir milhares de vistos e salvar judeus e outros refugiados em fuga dos horrores da Segunda Guerra Mundial.

"Lições do passado para o presente e o futuro. Como sabemos, há ainda muitos refugiados em todo o mundo", salienta.

Sousa Mendes, apelidos que são motivo de orgulho para os descendentes e para Gérald, o neto que cresceu no Canadá e que conheceu o percurso do avô, pela primeira vez, aos 10 anos de idade.

Werner Klotz é um dos artistas envolvidos no desenvolvimento da escultura com elementos vídeo e áudio. Finaliza o Candelabro imaginado por Sebastian, que faleceu antes da conclusão do projeto.

Na instalação, Klotz procura expor o dilema de Aristides de Sousa Mendes nos três dias em que emitiu milhares de vistos de entrada em Portugal.

"O que aconteceu lá? É o que tento imaginar", explica.

Nas imagens, os fugitivos da Segunda Guerra Mundial surgem lado a lado com os refugiados do século XXI, por sugestão de Gérald Sousa Mendes.

"A situação dos refugiados não acabou com Aristides de Sousa Mendes. Quando ele [Gérald] me disse isso, havia pessoas a morrerem afogadas no Mediterrâneo", sublinha o artista.

Para Cláudia Ninhos, a investigadora responsável pelo conteúdo histórico apresentado ao público, há uma resposta para sempre em aberto: quantas pessoas Aristides de Sousa Mendes salvou em junho de 1940. "De facto, não sabemos quantos vistos ele concedeu", sinaliza. "Não temos acesso a essa informação e acho que vai ser impossível saber".

Uma exposição para ver até outubro, no Museu Resistência e Liberdade, na Fortaleza de Peniche.

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