Canto polifónico feminino. "Uma cor do arco-íris" da cultura mundial quer ser património da humanidade
Reportagem TSF

Canto polifónico feminino. "Uma cor do arco-íris" da cultura mundial quer ser património da humanidade

Depois do cante alentejano, agora são as polifonias femininas que querem ser património da humanidade. A candidatura deve ser apresentada à UNESCO até ao final do verão.

Isabel Silvestre, uma das vozes maiores do canto polifónico feminino em Portugal, foi a impulsionadora da ideia. Foi a cantora que, há meia dúzia de anos, desafiou a Câmara de São Pedro do Sul a avançar neste processo.

"Começou muito porque a professora Isabel Silvestre veio falar connosco e nos pediu para avançarmos, uma vez que já existiam condições e havia muitos grupos com esta prática que era única no mundo. Nós agarrámos a sugestão dela e ela foi a nossa embaixatriz", explica Teresa Sobrinho, vereadora no município.

Para aprofundar esta ideia, foi feita uma investigação documental com a ajuda de universidades. Foi também realizado um levantamento do património existente. Entretanto, foi criada uma entidade que junta os grupos de cantares polifónicos femininos do país e é essa associação que vai submeter a candidatura a património imaterial da humanidade.

"Isto desenvolveu-se e pensamos que até ao fim do verão vamos inserir a matriz da candidatura na plataforma", adianta Teresa Sobrinho.

O trabalho não culmina com a submissão do processo à UNESCO. Esse é apenas mais um passo. A ideia é que o selo de património da humanidade ajude a valorizar e preservar as polifonias, desconhecidas ainda por muita gente.

"O impacto que tem ouvir um grupo destes ao vivo é... uma pessoa fica quase presa na cadeira. Eu, para mim, faz-me um "bac" no coração, parece que vem à nossa alta, não sei explicar", salienta a vereadora da cultura na autarquia de São Pedro do Sul.

As polifonias são uma prática ancestral que os municípios da região de Lafões estão empenhados em salvaguardar. Nas próximas semanas vão decorrer, em Sever do Vouga, Oliveira de Frades, Vouzela e São Pedro do Sul, oficinas para se aprender estas cantadas.

"Enquanto, por exemplo, no cante alentejano, temos muitas vozes a fazer uma voz normal, e depois temos o alto, que faz uma segunda voz, aqui não, há sempre ou, na maioria das vezes, três vozes. Três vozes que têm a particularidade de fazerem os harmónicos naturais, que é o que faz com que estas polifonias sejam bastante especiais", explica Paulo Pereira, diretor artístico das oficinas.

A ideia destas formações é passar as músicas, que, na maioria, são cantadas apenas por idosas, às novas gerações.

"Este é um património único e muito valioso porque não existe em mais lado nenhum do mundo. Se não formos nós na região a preservá-lo, ninguém o fará. E é uma diversidade muito interessante, é uma cor deste grande arco-íris que é a cultura mundial e que faz com que esta região seja diferente das outras", defende o músico.

Depois das oficinas, uma em cada um dos concelhos, as novas vozes vão juntar-se para um grande concerto que vai passar também nos quatro municípios.

"Vai ser gravado e vai ser realizado um concerto de cerca de 40 vozes no feminino de todas as idades. Tantas vozes e com tantas vozes jovens, isso não ecoa nestes vales há mais de uma centena de anos. Eu estou mesmo curioso de perceber como é que são as polifonias na modernidade de hoje e com tantos jovens", remata Paulo Pereira.

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