"Captar a alma." Os retratos de Cartier-Bresson chegaram ao Porto

São 70 anos de trabalho em 121 fotografias. "Henri Cartier-Bresson: Retratos" é o título da exposição que mostra algumas das imagens mais conhecidas do fundador da Agência Magnum e a sua primeira Leica.

De Martin Luther King, a Picasso ou Che Guevara, nesta exposição vemos de que forma o fotógrafo francês captava o olhar de conhecidos e anónimos. Entre as 121 fotografias, vemos Marilyn Monroe, com um vestido preto, a olhar para o vazio; Martin Luther King tem a mão a tapar a testa, enquanto olha para umas folhas pousadas na secretária; Robert Kennedy brinca com um dos filhos. As fotografias estão distribuídas por ordem cronológica e têm como ponto de partida o livro de retratos, de 1998, "Tête à Tête".

Ana Cristina Batista explica que a exposição chega a Portugal pela mão da Art For You, em parceria com a Fundação Henri Cartier-Bresson. "O inicio da exposição são os primeiros anos de Cartier Bresson, uma fase em que ainda não é fotógrafo profissional mas estava a encontrar o seu caminho. Também é no inicio dos anos 1930 que começa a interessar-se por outra tipologia de máquinas e aqui podemos ver na exposição um retrato dele com a sua primeira máquina leica e os modelos que ele usou nos anos 30, 50 e 80".

Uma exposição de retratos que contam a história. "Ele vai para a Guerra, é preso e quando volta continua a fazer os seus retratos. Podemos ver um retrato do grande amigo Henri Matisse, em que ele o fotografa em casa. Matisse estava muito doente e há um episódio em que eles, após a guerra, fabricam documentos falsos para não continuarem a ser perseguidos."

Henri Cartier-Bresson fotografou cantores, cineastas, escritores, políticos, filósofos, atores, todos acediam ao desejo de captar o olhar através da imagem.

"Podemos ver fotos de Jean Paul Sartre, Édith Piaf, Truman Capote, que ele conheceu e que foi um encontro muito importante, porque Bresson amava a literatura".

Ana Cristina Batista sublinha que em todas as fotografias o olhar é o elemento mais forte. "Bresson dizia que tinha que captar a alma, a intimidade. As fotografias de rua eram instantâneas, era o que ele dizia ser o momento único para fotografar. Em casa ou no estúdio era diferente, Bresson procurava ocupar não mais do que 20 minutos, achava que devia fazer os retratos como uma visita rápida a um amigo, esses 20 minutos eram muito importantes para captar a intimidade de cada um dos retratados."

"Henri Cartier-Bresson: Retratos" também mostra catálogos e revistas, como a Baazar ou a Life, para as quais trabalhou. A exposição termina com um vídeo onde o fundador da Agência Magnum, com a Leica na mão, regista os festejos do ano novo chinês.

Henri Cartier-Bresson fotografou a cidade do Porto em 1955, por isso esta mostra inclui ainda uma outra "Retratos - Porto: Um Olhar Contemporâneo". As imagens mostram uma nova perspetiva sobre os recantos que Bresson fotografou, com 12 fotografias de Luís Nobre, Pedro Mesquita, André Boto e Diogo Borges. O valor da venda destas imagens será entregue à Associação O Joãzinho.

A exposição "Henri Cartier-Bresson: Retratos" chega esta quinta-feira à Alfândega do Porto e pode ser visitada até 12 de abril.

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