Casa da Arquitectura acolhe acervo de Carrilho da Graça

São quase duas centenas e o resultado de mais de 40 anos de carreira. O acervo de João Luís Carrilho da Graça já começou a chegar à Casa da Arquitectura, em Matosinhos.

Na sala de arquivo, onde vão ficar as obras, o arquiteto mostrou alguns projetos premiados. Os concursos ocupam uma parte importante do seu percurso. Mas Carrilho da Graça prefere o segundo lugar e explica que "às vezes, até me gabo de ficar em 2º lugar porque já ouvi muitas vezes dizerem que o que fica em 2º lugar é o melhor projeto, mas que não é aquele que o júri entende que melhor serve o objetivo do dono da obra."

Na opinião de Nuno Sampaio, diretor da Casa da Arquitectura, o acervo de Carrilho da Graça representa um testemunho fundamental para o futuro da arquitetura: "A única maneira de manter esta investigação que o João Luís vai fazendo [...] é na conservação desse processo de concurso, dessas maquetes, desses desenhos que agora ficam disponíveis para que as pessoas possam estudar e, muitas vezes, olhar essa matéria de investigação [como] útil para outros projetos".

Para o autor alentejano, a arquitetura é, sobretudo, um ofício honesto. A este respeito afirma que "é uma atividade que todos nós sabemos reconhecer que tem uma enorme honestidade porque nós projetamos e construímos e as pessoas podem ver." Reconhecendo a desconfiança de algum público - como eventual resultado de algumas abordagens mais artísticas por parte de outros autores -, o arquiteto esclarece que entende a arquitetura como "uma coisa completamente transparente" e que, portanto, não tem "nada na manga".

Carrilho da Graça considera que é chegado o momento para uma retrospetiva da carreira: "Esta hiperatividade que já não é própria da minha vetusta idade - apesar de estar muita gente a colaborar comigo - tem sido uma tarefa complicada".

No arquivo da Casa da Arquitectura vão ficar mais de 300 projetos do autor galardoado além-fronteiras. Carrilho da Graça é um dos nomes mais importantes da arquitetura portuguesa na atualidade. A Ponte da Carpinteira na Covilhã e o Terminal de Cruzeiros em Lisboa são duas das inúmeras obras do autor no nosso território.

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