Circos acusam Governo de "xenofobia cultural"

Sem apoios e perspetivas de retorno à atividade, os profissionais do circo querem saber, junto da ministra da Cultura, por que razão estão a ser excluídos, e deixam mesmo uma acusação ao Governo.

Os proprietários e artistas de circo pedem uma reunião urgente à ministra da Cultura a fim de esclarecer por que motivo a atividade circense não tem sido abrangida pelos apoios às artes. Com os circos fechados desde março, os profissionais do setor queixam-se de "xenofobia cultural" e exigem uma almofada financeira para enfrentar a pandemia.

A Covid-19 acelerou o processo de criação de uma associação representativa dos circos portugueses. Carlos Carvalho, porta-voz do movimento associativista, lamenta que as atividades circenses não tenham sido incluídas na lista de apoios à cultura. "A Direção-geral das Artes gere os apoios da cultura em Portugal e não admite candidaturas do circo tradicional. Queremos saber porquê, já que isto só acontece em Portugal."

Em declarações à TSF, Carlos Carvalho não esconde a indignação: "Só existimos para a Cultura quando se trata de pagar. Pagamos todos os impostos como qualquer outra empresa." Na perspetiva do representante do coletivo de circos portugueses, a atividade não é acolhida em Portugal como deveria ser. "O circo é considerado Património Cultural da Europa pela União Europeia, porque engloba música, teatro, dança e acrobacia. Todas essas artes são apoiadas, mas o circo não é."

Por isso, o representante dos circos portugueses aponta o dedo ao Executivo: "Estamos a ser vítimas de xenofobia artística e cultural." Carlos Carvalho assegura, no entanto, que os artistas de circo farão chegar ao Governo estas indignações "de forma educada, honrada e pacífica".

Em Portugal há perto de 30 empresas - algumas das quais recorreram ao lay-off simplificado - e mil profissionais do circo. Há famílias em dificuldades porque os apoios são insuficientes para enfrentar os prejuízos. É a garantia de Carlos Carvalho. "Os prejuízos são enormes, a atividade está parada e a faturação é zero desde março", fundamenta.

"Mais grave do que os prejuízos é haver artistas de circo que estão a receber 200 euros por mês ou 120 euros por mês. Há pessoas que já estão a fazer outras coisas porque têm de subsistir."

Há ainda outros aspetos que preocupam os profissionais do circo, com dúvidas sobre quando poderão regressar ao trabalho e em que condições o podem fazer. "Temos algumas ideias a partir do que se passa lá fora na União Europeia: o modelo espanhol prevê a redução da lotação para um terço, para poder manter a distância entre as pessoas - deverá ser o mais viável -; há o modelo de drive-in, em que as pessoas estão dentro dos carros a assistir aos espetáculos; há a hipótese de fazer espetáculos ao ar livre no verão... Mas isso tem de ser delineado com quem manda, ou seja, com o Governo e com as autarquias." Este é mais um dos motivos pelos quais os profissionais do circo enviaram na terça-feira um pedido de reunião urgente a Graça Fonseca, ministra da Cultura.

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