Com o setor quase parado, promotores de espetáculos acusam DGS de "fundamentalismo"

A TSF já perguntou à DGS se está para breve a norma sobre as salas de espetáculos, mas a entidade limita-se a responder que a orientação atualmente em vigor será revista para ficar de acordo com a lei aprovada no último Conselho de Ministros.

Ainda não é esta segunda-feira que as salas de espetáculos vão poder trabalhar com 75% da lotação. É isso que está previsto na lei que regulamenta esta nova fase do desconfinamento, mas, para que a medida se concretize, é preciso uma norma da Direção-Geral da Saúde que ainda não foi publicada. Álvaro Covões, presidente da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos receia que se repita o que aconteceu quando o governo determinou que as salas podiam funcionar com dois terços da capacidade.

"O Governo determina que a lotação dos espetáculos passa para 75% e as salas têm tipologias de lotação de plateia em pé ou plateia sentada - e até há salas que são mistas, como, por exemplo, o Coliseu de Lisboa. Só que quando isto aconteceu para os 66% a DGS veio dizer que era só para plateia sentada. Isto não é exatamente a mesma coisa. Isto é o mesmo que nós dizermos que a lotação no metro é de 75%, mas só com pessoas sentadas. Então, a lotação não é de 75%", sustenta.

O representante dos organizadores de espetáculos fala numa contradição e acusa a DGS de fundamentalismo: "Existe uma vontade do Governo muito positiva de apoiar o setor cultural e aumentar a lotação para 75% e depois vem a DGS com o fundamentalismo de só poder ser a plateia sentada. Isto é uma contradição permanente e que não está de acordo com o texto da lei."

Na prática, diz Álvaro Covões, o setor continua quase totalmente parado e sem apoios do Governo.

"O próprio ministro da Economia quando decidiu prolongar o apoiar.pt para aquelas atividades económicas que não podem trabalhar, como é o caso das discotecas e bares, deixou o setor cultural de fora, porque como eles determinam 75% de lotação acham que nós estamos a trabalhar. Só que, na realidade, principalmente na música, 80% da nossa atividade económica é com plateia em pé. Portanto, isto significa que estamos há 18 meses quase sem trabalhar ou sem trabalhar mesmo", remata.

A TSF já perguntou à DGS se está para breve a norma sobre as salas de espetáculos, mas a entidade limita-se a responder que a orientação atualmente em vigor será revista para ficar de acordo com a lei aprovada no último Conselho de Ministros.

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