Comemorar Agustina Bessa-Luís para a transportar para as novas gerações

Celebrações do centenário da escritora vão começar a 15 de outubro e prolongar-se por um ano. Protocolo para as concretizar foi celebrado esta terça-feira, em Amarante, entre várias entidades públicas e privadas.

As comemorações do centenário do nascimento de Agustina Bessa-Luís devem servir "para a transportar para o conhecimento das novas gerações". Este é o desejo de Mónica Baldaque, filha da escritora, assumido esta terça-feira à tarde, em Amarante.

Foi lá, no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, que foi celebrado o protocolo, entre várias entidades públicas e privadas, que vai tornar possíveis as celebrações, que arrancam a 15 de outubro e vão durar um ano.

As comemorações do centenário do nascimento de Agustina Bessa-Luís arrancam com a estreia de um filme baseado em "A Sibila", de 1954, um dos romances mais famosos da escritora nascida no concelho de Amarante.

Depois, até 15 de outubro de 2023 haverá uma agenda recheada de iniciativas culturais, artísticas, científicas e de promoção da vida e obra de Agustina. A filha, Mónica Baldaque, entende que a mãe "já está eternizada", mas gostaria que o centenário servisse para "prolongá-la para o conhecimento dos novos, que estão um pouco afastados do exercício do pensamento, que é o que Agustina ensinou toda a vida".

Considerando a homenagem "mais que merecida", Mónica Baldaque revelou que está a reler a obra da mãe, "hoje com outra preparação e outro olhar", e nota que "tudo o que está em cada romance passa-se com o Mundo atual". Considerou que é "impressionante como há afirmações e perspetivas perfeitamente atuais, hoje e daqui a muitos anos".

O ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, disse que "só teremos futuro se formos capazes de olhar para a história, para o nosso passado, a cultura e os olhares sobre o território através da arte". E assim, elogiou o facto de as comemorações do centenário de Agustina Bessa-Luís terem juntado sete municípios associados à vida e obra da escritora, três universidades e outras entidades públicas e privadas do Norte do país.

"Este centenário e outros que vão ser comemorados nos próximos anos, com importâncias relativas diferentes, serão tanto mais atuais quanto mais forem capazes de mobilizar a sociedade civil", enfatizou o ministro. Salientando que "o Ministério da Cultura estará disponível para ajudar", Pedro Adão e Silva frisou que "a riqueza, a vitalidade, a força e a capacidade de atualizar a memória dos autores dependerá sempre da forma como for a sociedade civil a iniciar as celebrações, a definir programas e a envolver outros parceiros".

As comemorações do centenário do nascimento de Agustina Bessa-Luís ficarão a cargo de um consórcio liderado pela Câmara de Amarante, concelho de onde é natural a autora, contando com a participação dos municípios de Baião, Esposende, Porto, Póvoa de Varzim, Peso da Régua e Vila do Conde. Estão também envolvidas as universidades do Porto, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro, acompanhadas pela Direção Regional de Cultura do Norte, Turismo do Porto e Norte, Fundação de Serralves e RTP.

O presidente da Câmara de Amarante, José Luís Gaspar, destacou a assinatura do protocolo, esta terça-feira, como "um momento muito importante para o Norte", por se estar a homenagear "uma grande referência da região".

Nascida em 1922, em Vila Meã, Amarante, a escritora Agustina Bessa-Luís morreu em 3 de junho de 2019, aos 96 anos. Destacou-se em 1954, com a publicação do romance "A Sibila", que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz, sendo galardoada em 2004 com os Prémio Camões e Vergílio Ferreira.

Entre muitas outras distinções, recebeu igualmente o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pela obra "Os Meninos de Ouro", e, em 2001, por "O Princípio da Incerteza I - Joia de Família". Foi distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015.

Foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, de Portugal, em 1981, elevada a Grã-Cruz em 2006, e com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, de França, em 1989, tendo recebido a Medalha de Honra da Cidade do Porto, em 1988.

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