Como são os sons do Inferno?

O Coro Setúbal Voz responde ao desafio, num concerto inédito esta quinta-feira, na estreia do Film Fest, em Setúbal.

O maestro Jorge Salgueiro, director artístico do Coro Setúbal Voz, demorou cerca de três meses a compor a partitura que acompanha a exibição de filme mudo "O Inferno", de Francesco Bertolini, Adolfo Padovan e Giuseppe De Liugoro. Baseado na "Divina Comédia", de Dante, o filme italiano, de 1911, abre a 1ª edição do Film fest, o novo festival que junta cinema e música ao vivo em Setúbal.

Com 70 coralistas, o Coro Setúbal Voz já trabalhou o "Purgatório", em parceria com o teatro O Bando.

Para "O Inferno", Jorge Salgueiro procurou seguir o ensinamento dos chineses, na construção da Grande Muralha. "Para os grandes projectos, tento não pensar no tamanho dantesco do monumento, mas em pôr uma pedra de cada vez". O desafio passou por trabalhar um "imaginário fora do quotidiano", porque o Inferno é uma "terra do imaginário", onde os sons não são do quotidiano.

"O Coro não pode cantar de forma normal no Purgatório", defende Jorge Salgueiro, que recorre a "sons vocais exploratórios", como "estalinhos com a língua, grunhir, gritar, falar ou sussurrar", para tentar mostrar como são os sons do Inferno.

O resultado mostra-se num concerto único, no Fórum Luísa Todi, esta quinta-feira.

O maestro assume que o cine-concerto não é um espectáculo para todo o público, mas realça "não precisamos de mais espectáculos para as massas. Temos falta de cultura produzida para as minorias" e essa "é estruturante", sobretudo na cidade de Setúbal, que "não é Lisboa nem uma capital europeia".

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