"Desassossego", a peça de teatro que conta história de quem vive com doenças mentais

Espetáculo junta comunidade, doentes e profissionais de saúde que vão contar histórias de pessoas com esquizofrenia, depressão ou doença bipolar.

Os problemas de quem sofre de doença mental sobem ao palco, esta sexta-feira, no Teatro Municipal de Beja. A peça "Desassossego" junta a comunidade, doentes e profissionais de saúde para contar histórias de pessoas com esquizofrenia, depressão ou doença bipolar. Na Manhã TSF, Paulo Barbosa, médico interno do serviço de psiquiatria do hospital de Beja, explicou como nasceu o projeto.

"Nós conhecemos pessoas que estão a lidar com doenças mentais, convidámos a participar e elas vieram para a Santa Casa da Misericórdia construir um bocadinho daquilo que vai ser levado a palco no projeto, desde a cenografia, os figurinos, com as ideias que tinham na cabeça", disse, acrescentando que os participantes "puderam criar, desligar-se do tratamento da sua doença e ser pessoas que participam na sociedade, que transmitem a sua visão das coisas e que nos levam um bocadinho também para este imaginário".

Paulo Barbosa lembrou que os doentes mentais também podem "viver felizes para sempre", como nos contos de fadas, bem como "ver representados através de linguagens artísticas coisas que são importantes para elas, pessoas que são parecidas com elas, pessoas que têm os mesmos problemas e pessoas que vivem os mesmos desafios".

Outro responsável pelo projeto do Coro de Atores é Miguel Magalhães, que explica que não foi por acaso que o "Desassossego" se instalou no Alentejo. Desde logo, porque "a nível do suicídio, é a região do país com maior taxa de suicídio". Depois, "porque os acessos aos cuidados de saúde mental têm vindo felizmente a melhorar".

"É inegável o crescimento, mas quando estamos a falar de há 10 ou 15 anos era dificílimo. Estas pessoas foram diagnosticadas mais tarde do que seriam nos centros urbanos e depois iam ser internadas ou assistidas em Lisboa e isto causava um grande sofrimento não só para eles próprios, como também para as famílias", admite.

A peça aborda a história de um doente bipolar sobre "o processo de adoecer, a reação do doente e das pessoas que o rodeiam, as dificuldades que a doença implica, direta e indiretamente", lê-se numa nota enviada à TSF.

"Através do contacto direto com doentes, cuidadores e estruturas de apoio na comunidade, Desassossego tem como objetivos a consciencialização da população sobre a doença mental, a promoção da literacia em saúde e a luta contra o estigma e a desigualdade, assumindo-se como um veículo de transformação social pela arte", acrescenta a mesma nota.

O espetáculo "Desassossego", produzido pelo Coro de Atores, é dirigido por Miguel Magalhães, apoiado pelo Programa de Apoio em Parceria - Arte e Saúde Mental da Direção-Geral das Artes (DGARTES) e conta com a parceria da Santa Casa da Misericórdia de Beja, Câmara Municipal de Beja, Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Mental e da Rádio Voz da Planície. A encenação é da responsabilidade de Rita Calatré, a coreografia de Daniela Ferreira e a música original de Paulo Pires.

A estreia está marcada para esta sexta-feira. Vai ser um "Desassossego" no Teatro Municipal de Beja.

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