É possível ver o antigo Convento do Carmo tal como era antes do terramoto de 1755

Uma equipa europeia tornou possível voltar a ver "de pé" o antigo Convento do Carmo, em Lisboa. A TSF falou com um dos membros da equipa do Heritage Within sobre o projeto que é hoje apresentado no próprio convento.

De ruínas se ergue o Convento do Carmo - mas só na plataforma e aplicação da Heritage Within (ou HWITHIN). Hoje, pelas 10 da manhã, vai ser apresentado o projeto que devolve a vida ao Convento do Carmo, em Lisboa. É através de uma abordagem inovadora 3D (três dimensões) que se torna possível ver o antigo convento tal como era, antes de ter ficado em ruínas depois do terramoto de 1755.

Um dos membros do projeto HWITHIN, Javier Ortega Heras, explicou à TSF o objetivo de trazer ruínas à vida. "O projeto chama-se HWITHIN porque a nossa ideia era tentar demonstrar coisas não visíveis, o interior dos elementos construtivos do projeto. Normalmente, quando fazemos um levantamento de um projeto num edifício, conseguimos ver as superfícies exteriores de um edifício, podemos fazer um levantamento em 3D, mas estamos interessados além da superfície e tratar de mapear o interior dos edifícios e também coisas que não conseguimos ver com os olhos".

E foi isso mesmo que fizeram no Convento do Carmo. "Temo-nos focado no Museu Arqueológico do Carmo, a antiga igreja do Convento do Carmo, e temos feito este levantamento tanto exterior, como interior destes elementos, e incluímos toda esta informação numa plataforma de realidade virtual. Pode-se navegar e explorar o nosso levantamento, através da aplicação que desenvolvemos. Pode-se fazer o percurso no edifício, no local, e ver o interior dos elementos construtivos ou remotamente, através do computador", explicou Javier à TSF.

Depois de dois anos de trabalho, com desafios postos pela pandemia, que não permitiu que a equipa visitasse o convento, é através da plataforma da HWITHIN e da aplicação de realidade virtual aumentada que podemos ver o antigo convento em três dimensões, sem sair do computador.

Trabalharam neste projeto arquitetos, engenheiros civis, arqueólogos, historiadores de arte e geofísicos vindos de vários países. O HWITHIN é coordenado pela Escola de Engenharia da Universidade do Minho, em parceria com o Conselho Nacional de Investigação de Espanha (CSIC), a Universidade Politécnica de Madrid e o Conselho Nacional de Investigação de Itália, tendo financiamento do Programa Europa Criativa, da União Europeia. Dezasseis pessoas ajudaram a mapear o convento.

Javier Ortega Heras, membro da Universidade do Minho, explica que a finalidade do HWITHIN é não só divulgar o património, mas também dar ferramentas a outros profissionais. "A nossa ideia é também servir de plataforma para fazer divulgação das tarefas que fazemos normalmente dentro deste campo de conservação de edifícios. O que fazemos, porque é que o fazemos, e qual é o objetivo. E dar a conhecer ao público geral qual o nosso papel dentro da conservação e porque é que é importante o que fazemos", explica Javier, que diz que é por isso que a plataforma é acessível. A ideia é que toda a gente consiga compreender o que estamos a fazer".

Há também uma segunda finalidade do trabalho da HWITHIN e prende-se com o dar ferramentas a outros profissionais e investigadores. "Achamos que esta plataforma pode ter muita utilidade para outros profissionais. Achamos que isto pode ajudar muito na interpretação dos resultados".

O projeto no Convento do Carmo é apenas o projeto piloto e está terminado. A ideia é ver a adesão das pessoas ao projeto, este sábado, e aplicar o modelo a outros edifícios. Pode consultar o programa da apresentação aqui e é possível acompanhar a apresentação do projeto por via streaming, pelo Zoom.

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