Elvira Fortunato é a vencedora do Prémio Pessoa 2020, adiado devido à pandemia

A vencedora da 34.ª edição do Prémio Pessoa destaca-se pelo "trabalho pioneiro" na área da eletrónica.

A investigadora Elvira Fortunato é a vencedora do Prémio Pessoa 2020, cujo anúncio foi adiado em dezembro do ano passado para esta quinta-feira devido à pandemia.

"A ciência e a inovação são sinónimos de Elvira Fortunato", destacou o presidente do júri, Francisco Pinto Balsemão, numa transmissão online por videoconferência, elogiando o trabalho da professora catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e da sua equipa de investigação, sobretudo no desenvolvimento do transístor de papel.

"A ideia de usar o papel como material eletrónico abriu portas, em 2016, para futuras aplicações em produtos farmacêuticos, embalagens inteligentes ou microchips recicláveis, ou até páginas de jornal ou revistas com imagens em movimento."

Aos 56 anos, Elvira Fortunato distingue-se pela "carreira de excecional projeção, dentro e fora do país", afirmou Francisco Pinto Balsemão.

De salutar ainda o "trabalho pioneiro na área da eletrónica transparente, usando materiais sustentáveis e com processamento completo à temperatura ambiente, e de grande impacto na indústria eletrónica mundial".

Em declarações à TSF, Elvira Fortunato mostrou-se duplamente contente com a atribuição do prémio na área da ciência e a uma mulher.

"Senti-me emocionada com as palavras carinhosas que o Dr. Francisco Balsemão fez relativamente a mim e fiquei muito feliz. Acho que, acima de tudo, sou portuguesa, gosto muito do meu país, e, ao longo destes anos, eu e a equipa tentamos sempre dignificar e colocar aquilo que fazemos na área da ciência, aqui em Portugal, ao mais alto nível. Acho que, no fundo, este prémio também reconheceu e está a premiar exatamente isso."

A desigualdade de género ainda é uma realidade na área das ciências em Portugal, lamenta a investigadora. "Ainda há muito a fazer."

Também ouvido pela TSF, o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Mineiro Aires, diz que se trata de um grande prémio para a engenharia e para o país. "Demonstra que somos capazes de fazer melhor que os outros e que as mulheres têm um papel muito importante na nossa sociedade", afirma.

"Elvira Fortunato é efetivamente um ativo português muito importante, enquanto mulher, enquanto cientista, enquanto professora e enquanto engenheira. Isto é mais um prémio que reconhece toda uma carreira brilhante que ela tem tido e posso adiantar que não vai parar por aqui", acrescenta.

O Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros, é uma iniciativa do semanário Expresso e da Caixa Geral de Depósitos, e visa reconhecer a atividade de cidadãos portugueses com papel significativo na vida cultural e científica do país, tendo distinguido 35 personalidades desde 1987, em duas edições com dois premiados em simultâneo.

Na edição passada, o Prémio Pessoa distinguiu o ator, encenador e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, pela sua "carreira de excecional projeção dentro e fora do país", e num reconhecimento do seu "contributo notável para o desenvolvimento do campo das Artes Performativas portuguesas", segundo a justificação divulgada, na altura, pelo júri.

O júri do Prémio Pessoa 2020 é composto por Francisco Pinto Balsemão, que preside, Emídio Rui Vilar, vice-presidente, Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery, Viriato Soromenho-Marques.

Entre os vários galardoados com este prémio, desde que foi instituído, em 1987, contam-se personalidades como José Mattoso, António Ramos Rosa, Maria João Pires, Menez, António e Hanna Damásio, Herberto Helder (que o recusou), Cláudio Torres, Vasco Graça Moura, João Lobo Antunes, José Cardoso Pires, Eduardo Souto Moura, Emmauel Nunes, João Bénard da Costa, Sobrinho Simões, Mário Cláudio, Luís Miguel Cintra, Maria do Carmo Fonseca, Eduardo Lourenço, Maria Manuel Mota, Richard Zenith, Manuel Aires Mateus, Rui Chafes e Frederico Lourenço.

Notícia atualizada às 13h58

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