Em protesto, Manel Cruz não volta a tocar "nesta Casa da Música"

Músico diz querer ver outra "gente" na direção do equipamento cultural que classifica como um "cubo torto, a quem nasceu a forma antes do conteúdo".

O músico Manel Cruz garantiu, esta sexta-feira, através de uma publicação nas redes sociais, que "nunca mais" toca "nesta" Casa da Música.

Na publicação partilhada esta sexta-feira, intitulada "Nunca mais toco nesta Casa da Música", o vocalista dos Ornatos Violeta, Supernada e Pluto escreve: "Não sei em que outra casa poderei tocar um dia... Mas sei de muita gente a quem confiaria a solução".

Essa "gente", escreve o músico, é "gente que vê na música uma forma de tornar os nossos filhos mais libertos e autónomos, gente que vê a música como outra coisa qualquer que requer verdadeiro compromisso, amor e dedicação".

"Esses quero nas direções", comenta Manel Cruz, acrescentando que são "verdadeiros gestores" que "apontam ao longo prazo, e fazem o povo aprender, e não, ser ensinado", são "quem faz a coisa acontecer".

Na conclusão da sua mensagem, Manel Cruz faz contrastar a "gente" de que fala com um "cubo torto, a quem nasceu a forma antes do conteúdo. Cultura, dizem..."

A mensagem surge após vários momentos polémicos recentes, que culminaram na saída do maestro José Luís Borges Coelho, um dos representantes do Estado no Conselho de Administração da Casa da Música, na última noite.

A 28 de abril foi tornado público um abaixo-assinado subscrito por 92 precários e dos quadros da Casa da Música, com data de 18 de abril, que relatava a existência de várias dezenas de trabalhadores a recibos verdes que ficaram sem qualquer remuneração pelos trabalhos cancelados, na sequência das medidas de contingência, devido à pandemia da Covid-19.

A este abaixo-assinado, seguiu-se uma vigília silenciosa, a 1 de junho, data que coincidiu com a reabertura da Casa da Música, tendo sido noticiado, no dia seguinte, com base no depoimento de uma das pessoas visadas, que cerca de 13 trabalhadores "precários" foram dispensados dos concertos que tinham sido alocados para o mês de junho.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de