Escritaria, com um abraço

Pandemia poderia rimar com Escritaria, mas, aqui, a prosa de Mário Zambujal venceu tudo e, em Penafiel, é o autor homenageado este ano. Nas 13 edições, o Escritaria sempre quis contaminar de literatura toda a cidade de Penafiel e é o que tem acontecido. Mesmo mais resguardados e de máscara, as palavras hão de ganhar sempre.

O Largo da Igreja, da Nossa Senhora da Ajuda, das muitas igrejas de Penafiel, é o local obrigatório de passagem do Escritaria, mesmo este ano, mais confinado e com regras sanitárias mais apertadas. É o largo que dá acesso ao Museu Municipal de Penafiel, no novo edifício, um museu premiado, e que tem servido de quartel-general do Escritaria, para os muitos encontros, palestras, entrevistas.

A diretora Maria José Santos sabe que estes dias são tempos de trabalho, mas também de entrega e quando tudo acaba, claro que dias depois, porque há um antes de um depois do Escritaria. Depois, é respirar fundo e missão cumprida.

Penafiel manteve, mesmo em condições mais especiais, como são as de este ano, com a pandemia em curso, o Escritaria deste ano. O festival literário vive do contacto com as pessoas e da vida na rua. Nesta edição XIII, mais uma vez, a Biblioteca Municipal serve como instituição âncora do festival literário. A biblioteca, sendo a casa dos livros, é também lugar para todos os que gostam de ler e de conhecer melhor e mais os escritores que têm sido homenageados nestas edições do Escritaria.

Num jardim inicial da biblioteca, Adelaide Galhardo, diretora da biblioteca, fez espraiar as imagens de todas as obras de Mário Zambujal e neste pequeno jardim, várias frases espetadas balouçam na leve brisa da tarde em Penafiel. Frases de Mário Zambujal, coisas que foi dizendo ou escrevendo ao longo de uma vida, com um sublinhado especial para as mulheres, que também a diretora, como mulher, agradece.

De facto, as mulheres fazem muito parte desta exposição da Biblioteca Municipal de Penafiel, que tem também uma secretária, que poderia ter sido uma secretária de um jornalista, nos anos 1960, no Bairro Alto em Lisboa.

Mário Zambujal foi o autor da edição XIII do Escritaria, em tempos difíceis, em plena pandemia de Covid-19. A Câmara de Penafiel decidiu manter o festival, porque, diz o presidente da câmara, Antonino de Sousa, a cultura tem sofrido com estes tempos e adiar esta edição não era contribuir para que a cultura se mantenha viva.

Para o ano, em 2021, o presidente já assinou por baixo uma nova edição do Escritaria, mesmo que seja um ano de eleições autárquicas. O Escritaria já atravessou várias eleições e melhor que este ano há de ser de certeza. A marca do Escritaria, garante Antonino de Sousa, é manter a homenagem a um autor lusófono vivo, e até poderá ser fora de Portugal, como já aconteceu com Mia Couto, de Moçambique, ou Pepetela, de Angola. Só para o ano se saberá quem vai ser o autor homenageado no Escritaria.

Este ano fecha a edição, marcando os 50 anos de rádio de Fernando Alves, que também tem acompanhado as edições do Festival literário, e os 250 anos do foral de Penafiel. Em aço vai ficar, para sempre, a frase que Mário Zambujal escolheu para Penafiel ler todos os dias "Os tempos mudam mas não há máquina que substitua a natureza de um abraço."

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