Julieta Monginho vence Prémio Literário Fernando Namora. "Há quem diga que o livro estava dentro de mim"

Julieta Monginho é a vencedora do Prémio Literário Fernando Namora, com o romance "Um Muro no Meio do Caminho". O livro aborda a realidade dos migrantes que atravessam o Mediterrâneo, em busca de uma nova casa no território europeu.

Para o júri, o livro" Um Muro no Meio do Caminho" é um romance que se "constrói sobre uma das mais pungentes tragédias contemporâneas: a dos refugiados, sobretudo sírios, em fuga de loucuras humanas cada vez mais selváticas".

Para Julieta Monginho foi "um livro que tanto gostei de escrever". A autora do romance hoje premiado explica, em declarações à TSF, que tudo começou "no regresso do meu trabalho de voluntariado, em Chios, na Grécia. Fui como escritora e cidadã e assim voltei. Quando cheguei comecei a tomar notas, que se transformaram em algo maior do que eu mesma".

A amiga e escritora Hélia Correia, deu o empurrão final ao lançar um repto. "Tu és uma escritora. Não podes só tomar notas sobre isso. Tens de fazer uma coisa muito maior", relembra Julieta Monginho.

Assim nasceu "Um Muro no Meio do Caminho, que valeu à escritora o prémio Literário Fernando Namora. Na deliberação do júri, ao qual presidiu Guilherme d'Oliveira Martins, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, assinala-se, que "os tormentos experienciados em campos de refugiados, particularmente no campo da ilha de Chios, desenha o contexto em que Julieta Monginho situa a problemática deste drama contemporâneo".

Unânime da decisão, o júri enfatiza, ainda que, a autora escreve "num registo muito vivo e dinâmico, beneficiando da experiência pessoal que viveu no campo de Scios, em 2016, traçando retratos de mulheres mergulhadas num universo de dor e luto, mas também de esperança. Um livro que, sob a forma de um olhar simultaneamente afetuoso e triste, nos revela a face de uma humanidade perdida de si mesma".

Julieta Monginho diz que "esta mistura de tons foi natural. Existiu uma confluência" que não foi forçada.

O livro "Um Muro no Meio do Caminho" foi editado no ano passado, pela Porto Editora.

Julieta Monginho, nasceu em Lisboa, em 1958, e exerce funções como magistrada do Ministério Público na jurisdição de família e crianças.

A estreia no mundo da escrita aconteceu em 1996, com o livro "Juízo Perfeito", ao qual se seguiram "A Paixão Segundo os Infiéis" (1998), "À Tua Espera" (2000), que lhe valeu o Prémio Máxima de Literatura, "Dicionário dos Livros Sensíveis" (2000), "Onde Está J?" (2002), "A Construção da Noite" (2005).

A distinção com o Prémio Literário Fernando Namora não é a primeira na carreira de Julieta Monginho. Em 2008, a autora venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Com a obra "A Terceira Mãe" (2008), e com "Metade Maior" (2012), foi finalista dos Prémios Fernando Namora e Correntes d'Escritas. "Os Filhos de K." (2015) também esteve entre os finalistas dos prémios Fernando Namora e P.E.N. Clube.

O júri desta 22.ª edição do Prémio Literário Fernando Namora foi constituído por José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, por Maria Alzira Seixo, José Carlos de Vasconcelos e Liberto Cruz, convidados a título individual, e por Dinis de Abreu, pela Estoril-Sol.

No ano passado, o vencedor foi Carlos Vale Ferraz, com "A Última Viúva de África".

(Notícia em atualização)

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