"Eunice é sinónimo de teatro", diz encenador Tiago Rodrigues

"Em todos os nossos encontros, ensinou-me tanto e sempre com aquele ar de quem estava a aprender. Porque a Eunice sempre foi a mais jovem de todos nós", conta o encenador.

Eunice Muñoz "é sinónimo de teatro", afirmou o ator, dramaturgo e encenador Tiago Rodrigues, numa reação à morte da atriz, ocorrida esta madrugada, em Lisboa, aos 93 anos.

"Muitas vezes lhe disse que deviam mudar os dicionários. Ela ria, generosa, jovem, sempre a mais jovem de todos nós", escreve o autor de "By heart" numa mensagem publicada esta sexta-feira, na sua página pessoal da rede social Facebook.

"Quando cheguei ao Teatro Nacional D. Maria II, [Eunice Muñoz] deu-me as boas-vindas e pediu que tomasse conta da 'nossa casa' que, sabemo-lo bem, será sempre a 'sua casa'", prossegue o ex-diretor artístico do Nacional D. Maria, que assumirá a direção do Festival de Avignon, em França, a partir de setembro.

"Ajudou-me, aconselhou-me, aceitou-me. Assentiu sempre aos desafios que lhe lancei ou aos pedidos de ajuda que lhe fiz", prossegue o encenador, referindo-se aos anos em que esteve à frente da direção artística do Teatro Nacional (2015-2021), que acolheu a estreia de Eunice Muñoz, em 28 de novembro de 1941.

"Durante sete anos à frente da 'sua casa', pude sempre contar com ela. Da última vez que nos vimos, quando veio ver 'O Cerejal' [de Tchekhov], que apresentámos no D. Maria II, em dezembro, perguntou-me se tinha deixado a 'nossa casa' bem arrumada para o meu sucessor, desejou-me boa sorte para o futuro e garantiu-me que me faria uma visita em Avignon", recorda Tiago Rodrigues.

"Em todos os nossos encontros, ensinou-me tanto e sempre com aquele ar de quem estava a aprender. Porque a Eunice sempre foi a mais jovem de todos nós", assegura.

Tiago Rodrigues publica uma fotografia com alguns anos, tirada no exterior do teatro, quando Eunice Muñoz aceitou recitar Sophia de Mello Breyner Andresen, numa sessão especial, dedicada à data.

Trata-se de uma imagem de grupo, na qual se identificam vários jovens atores, além de Tiago Rodrigues e do comediante Bruno Nogueira, em redor de Eunice Muñoz, a sorrir, com um cravo vermelho na mão e um livro de Sophia.

"Basta olhar para esta foto, quando aceitou o meu convite para ler Sophia nas celebrações do 25 de Abril. Quem é, quem será sempre, a miúda desta fotografia, o talento enorme que ainda nos vai surpreender, o jovem vendaval?", conclui Tiago Rodrigues, na sua mensagem, numa referência à peça com que atriz se estreou, aos 13 anos, em novembro de 1941, no palco do D. Maria, na peça "Vendaval", de Virgínia Vitorino.

A atriz Eunice Muñoz morreu estaq sexta-feira, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, aos 93 anos.

O seu percurso de 80 anos, no teatro, soma mais de 120 peças, em perto de três dezenas de companhias. No cinema e na televisão, o seu nome está associado a mais de 80 produções de ficção, entre filmes, telenovelas e programas de comédia. Recebeu mais de uma dezena de prémios, seis condecorações oficiais, que culminaram na Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, em 2021. Em 1990, foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural.

O Governo anunciou que vai decretar luto nacional, no dia do funeral da atriz.

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