Fado Bicha sobre Festa do Avante: "Não iríamos este ano nem noutro"

As Fado Bicha atuaram esta sexta-feira no Festival Músicas do Mundo, em Sines.

As Fado Bicha trouxeram Estourada ao castelo de Sines e "perderam a virgindade" no festival Músicas do Mundo. Sobre a polémica relacionada com a participação na Festa do Avante!, assumem-se uma voz contra a instrumentalização da arte: "Acontece muito pouco em Portugal exigirem aos artistas posicionarem-se e essa exigência devia ser feita."

"Não iríamos este ano nem teríamos ido noutro ano por causa desse caráter político da Festa do Avante! Respeitamos a memória e o trabalho do PCP e identificamo-nos com muitas das lutas que tem, mas sendo ativistas Queer e pela visibilidade Queer, também reconhecemos a falha histórica em reconhecer e lutar pela dignidade e pelos direitos do trabalho - e não só - da comunidade Queer em Portugal e, portanto, não nos sentiríamos muito confortáveis."

Lila e João sublinham que a Festa do Avante! é uma festa da cultura, mas é também um festival político organizado pelo PCP. A dupla que assume e defende uma estética Queer e já recusou trabalhar com marcas "pelo aproveitamento que não representa, nem à crítica associada" ao seu trabalho, entende que "apesar de acontecer muito pouco em Portugal", seria interessante "exigirem aos artistas posicionarem-se, porque a arte também é instrumentalizada".

As Fado Bicha apresentaram-se pela primeira vez no Festival Músicas do Mundo: "Viemos para dar um abanão." E não tardaram a sentir o abanão do público. "Mal entrámos, sentimos o público a puxar para cima e foi bom ter uma plateia tão politizada." No mesmo dia em que lançaram "Estourada", o segundo single de "Ocupação", álbum de estreia lançado em junho nas plataformas digitais.

"Estourada" é um manifesto pessoal, político e emotivo que procura subverter, desafiar e enfrentar a tauromaquia e a masculinidade tóxica.

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