"Há milhares a comemorar." PR de Cabo Verde feliz com "data histórica"

Presidente cabo-verdiano espera que classificação da morna aprofunde estudo e divulgação.

O Presidente cabo-verdiano disse esta quarta-feira que a proclamação da morna a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO é uma "data histórica" e espera que possa contribuir para aprofundar o seu estudo, divulgação internacional e aprendizagem pelos mais jovens. Em declarações à TSF, Jorge Carlos Fonseca explica a sua ligação a este estilo de música.

"É uma música que me transporta para aquilo que é mais fundo, precioso e característico de Cabo Verde. É uma espécie de bálsamo. É dor, saudade, festa, alegria, amor e paixão. É uma música que transporto comigo em todo o meu percurso", afirmou Jorge Carlos Fonseca.

Cabo Verde está em festa. Há milhares de pessoas a comemorar esta decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) por todo o país.

"Privilegio as comemorações soltas das pessoas, das associações, das comunidades. Haverá, neste momento, milhares de cabo-verdianos a comemorar, mas vai haver também um programa oficial, em São Vicente, no Mindelo", sublinha o Presidente cabo-verdiano.

Na sua página de Facebook, Jorge Carlos Fonseca publicou um texto, minutos depois de o género musical ser classificado património da humanidade pela UNESCO, na 14.ª reunião anual do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da organização, que decorre desde segunda-feira no Centro de Congressos Agora, em Bogotá, Colômbia.

"Quero dar os meus parabéns a todas as equipas envolvidas neste processo, pelo sucesso obtido, e desejar que esta importante classificação possa contribuir para o aprofundamento do estudo da morna, sua maior divulgação internacional, maior aprendizagem pelos mais jovens, e o desenvolvimento de todos os requisitos que resultam deste novo estatuto, para o bem da nossa música, da nossa cultura, e desta terra sonora que é Cabo Verde", escreveu Jorge Carlos Fonseca.

Para o chefe de Estado cabo-verdiano, a classificação vem coroar não apenas quem apresentou a candidatura, mas também aqueles que deram continuidade e este "desígnio nacional", bem como aos milhares de músicos, compositores, intérpretes, cantadeiras, amantes e apaixonados por este estilo musical, nas ilhas, na diáspora ou mesmo nos diversos cantos do mundo.

"É com grande júbilo que recebemos a notícia de que a morna é, a partir de agora, oficialmente, Património Imaterial da Humanidade, classificada pela UNESCO, ao lado de diversas outras expressões artísticas e culturais", notou.

Jorge Carlos Fonseca traçou o percurso histórico da morna, desde a sua criação, considerando que é um "reconhecimento oficial", pela UNESCO, do humanismo que esta forma particular de expressão identitária encerra.

O Presidente disse que a proclamação é também um "grande júbilo para todo o povo cabo-verdiano, nas ilhas, mas sobretudo na diáspora, lá onde a morna é sentida de forma muito própria, onde se assume como espaço imanente desse sentimento intrinsecamente da terra crioula".

Considerada popularmente "música rainha" de Cabo Verde, como recorda "Nôs morna", uma das mais conhecidas mornas, do poeta Manuel d'Novas, o dossiê da sua candidatura a Património Imaterial Cultural da UNESCO, com mais de 1.000 páginas e cerca de 300 entrevistas, foi formalmente entregue pelo Governo cabo-verdiano em 26 de março de 2018.

De acordo com o processo da candidatura, a morna terá surgido no século XIX, não sendo consensual a origem do nome e ilha onde nasceu: Boa Vista ou Brava. O dossiê cabo-verdiano contou com o apoio técnico de Portugal e com a colaboração do antropólogo Paulo Lima, especialista português na elaboração de processos de candidatura a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, como o fado, o cante alentejano e a arte chocalheira.

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