"A violência não silenciará o povo." Português cria filme sobre coletes amarelos

Uma curta-metragem sobre o movimento contestatário dos Coletes Amarelos, que tem saído à rua nos últimos seis meses, é apresentada este sábado, em Paris.

O realizador português Pedro Fidalgo apresenta este sábado o seu mais recente filme "A violência não silenciará o povo". Uma curta-metragem sobre o movimento contestatário dos Coletes Amarelos, que tem saído à rua nos últimos seis meses.

O realizador acompanhou o movimento social ao longo de vários sábados, juntou-se aos manifestantes e de câmara na mão percorreu lado a lado com estes as ruas Paris, ouviu o que estas pessoas têm a dizer e decidiu fazer um primeiro de que poderá vir a ser uma série de vários filmes sobre a crise social que se vive em França. O filme não estava programado na agenda do realizador, mas Pedro Fidalgo sentiu que "devia fazê-lo". "Aconteceu tudo muito rápido, é quase cinema de urgência", garante.

"O sentimento de abandono de uma parte do país criou uma desconfiança quanto às instituições e uma sensação de pôr em causa a política fiscal. Os coletes amarelos apelam aos bloqueios económicos e a manifestar", lê-se na sinopse.

Pedro Fidalgo vive em França há 13 anos e diz fazer parte "dessas pessoas que sempre se manifestou". O realizador não se assume como observador, mas como participante. "Quando estou nas manifestações não estou a filmar o movimento como um observador porque estou com as pessoas, estou a manifestar e tenho a câmara comigo. É nesse contexto que surge o filme", explica.

"A violência não silenciará o povo" é o resultado de vários dias de filmagens, "a maior parte das imagens vem de uma só manifestação, embora haja planos de outras manifestações para dar a ideia de intemporalidade já que o movimento dura muito tempo". O movimento dos coletes amarelos sai às ruas todos os sábados desde o passado 17 de novembro e assinala hoje o 25.° ato de protesto.

O realizador português, radicado em Paris, sublinha que os coletes amarelos não são um "movimento organizado, nem centralizado; as reivindicações carregam múltiplas aspirações".

Pedro Fidalgo assume o filme a cores, apesar de a única cor assumida ser o amarelo em planos a preto e brancos. A câmara do realizador acompanha as marchas do movimento social. No ecrã vemos manifestantes a caminhar, de costas voltadas para a câmara. A lente foca as frases carregadas a feltro escuro nos coletes, amarelos que realçam mensagens como: "Temos razões para nos revoltarmos", "Sou resistente, mas não sou nem racista, homofóbico, contra judeus ou violento", "O ser contra o ter" ou ainda a célebre frase de Stéphane Hessel, "Indignai-vos!". A reivindicação mais partilhada é o pedido de demissão do presidente da república, Emmanuel Macron.

"Apesar da repressão que recai no movimento, e que já fez milhares de feridos e algumas mortes, os protestos não param", lembra Pedro Fidalgo.

Este sábado em que se assinala o dia da Europa, o filme "A violência não silenciará o povo" de Pedro Fidalgo terá antestreia ao lado do filme laureado pelo prémio LUX 2018 do Parlamento Europeu. "Woman at war", do realizador islandês Benedikt Erlingsson, será projetado este sábado, pelas 14h00, no auditório da Câmara Municipal de Paris.

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