APE abre ciclo "Sinais de Fogo" para homenagear Jorge de Sena no seu centenário

Na homenagem do centenário, haverá um debate e a projeção da longa-metragem sobre o romance do escritor, protagonizada por Diogo Infante, realizada em 1995, por Luís Filipe Rocha.

O centenário do nascimento de Jorge de Sena é assinalado a partir desta terça-feira pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), em Lisboa, com um debate, uma mesa redonda e a projeção do filme "Sinais de Fogo", inspirado na obra homónima.

Para homenagear o poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico e professor universitário, nascido em novembro de 1919, foi organizado o ciclo "Sinais de Sena", coordenado pelo escritor Luís Machado, que se inicia hoje com um debate, às 18h00, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa.

Esta sessão, subordinada ao tema "O Livro e o Filme", conta com a participação de José Manuel Mendes, presidente da APE, do coordenador do ciclo, Luís Machado, e do cineasta Luís Filipe Rocha, que dirigiu o filme "Sinais de Fogo", a partir do romance, e o documentário "Sinais de Sena", sobre o escritor.

"Sinais de Fogo" é também o livro mais vendido de Jorge de Sena, e, para muitos, um dos mais importantes romances portugueses do século XX, senão o mais importante. Vasco Silva, antigo responsável da Guimarães Editores - que há cerca de dez anos reeditou a obra completa de Jorge de Sena -, considera que este "é um dos grandes, dos muito grandes romances portugueses do século XX".

Publicado postumamente, em 1979, um ano depois da morte do autor, faz parte de uma "obra vastíssima" do "trabalhador infatigável". Vasco Silva contou ainda à TSF que o autor foi um "estudioso da obra de Fernando Pessoa", que conheceu quando era muito novo.

É um livro emblemático, considera também o professor universitário e poeta Jorge Fazenda Lourenço, um dos grandes especialistas na obra de Jorge de Sena. "Sinais de fogo" é um "panorama geracional que abarca os anos 30, e, portanto, a formação política, literária, social, cultural dessa geração que tem 18 anos por volta do início da Guerra Civil de Espanha", explicou.

Para Jorge Fazenda Lourenço, "1936 é o ano fulcral do romance, e o romance retrata os problemas vividos por essa geração, quer ao nível dos projetos de vida, quer ao nível político, quer mesmo em relação ao amor e à sexualidade".

Este é também, conforme analisou Fazenda Lourenço, um "romance da formação de um poeta", em que a personagem principal - Jorge - obriga o leitor a fazer um paralelo com o próprio escritor. "Também estamos a ler o modo como se constrói um poeta, a forma como um poeta se debate com a própria poesia", salientou o professor universitário.

O triângulo entre a poesia, o amor e a política, personificado no comunismo, está também sempre presente.

Na homenagem do centenário, haverá ainda a projeção da longa-metragem sobre o romance do escritor, protagonizada por Diogo Infante, realizada em 1995 por Luís Filipe Rocha.

A encerrar o programa deste ciclo, terá lugar, no dia 25 de junho, também às 18h00, na Livraria Barata, a mesa-redonda "Jorge de Sena: O Poeta e o Ficcionista" que reúne Fernando J. B. Martinho, escritor e um dos estudiosos da obra de Jorge de Sena, José Manuel Mendes, Luís Machado e Teresa Carvalho, investigadora da obra do escritor.

Considerado um nome maior da literatura portuguesa, Jorge de Sena nasceu em Lisboa, em 1919, e morreu em Santa Bárbara, Califórnia, em 1978, onde se fixara.

Com uma obra vasta e multifacetada o autor de "Quarenta Anos de Servidão" e "O Reino da Estupidez" foi poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico e professor universitário, e foi reconhecido como uma das mais destacadas figuras da cultura portuguesa do século XX.

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