Este festival não é para "velhos". Cool Jazz pisca o olho aos jovens com o pop

Desengane-se quem ainda acredita que o EDP Cool Jazz é um festival puramente de jazz e onde a música não interessa às camadas mais jovens. A última noite no Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, foi a prova do contrário.

É conhecido por ser um evento mais descontraído e acolhedor, afastado das multidões e das loucuras de outros festivais de verão. Talvez por isso, durante muito tempo, tenha sido associado a um público mais sénior, mais "adulto", e passasse ao lado da maioria do público jovem dos festivais. Mas esta já não é a realidade do EDP Cool Jazz.

Nesta última edição, o festival está piscar o olho aos jovens e a adotar uma estratégia diferente para cativar as audiências mais juvenis.

Tudo começa com os preços especiais para o público jovem. Este ano, o EDP Cool Jazz oferece 50% de desconto na entrada do festival (20 euros, em vez dos 40 euros pagos pelo bilhete normal) a todos os estudantes do concelho de Cascais, onde se realiza o evento.

Outra das vias em que o EDP Cool Jazz está a marcar pontos junto dos jovens são as redes sociais, onde tem uma presença muito mais forte (gerou até polémica o facto de ter sido através destas, e não presencialmente, em palco, que tenham sido dadas explicações sobre a falha de energia que levou ao cancelamento do concerto dos HMB , na noite de dia 9), o que inclui passatempos para meet & greets com os artistas do festival.

Mas o ponto mais decisivo tem necessariamente de ser o cartaz. Se é verdade que continuam a marcar presença artistas que já são habitués do festival, como Diana Krall e Jamie Cullum, a realidade é que o cartaz inclui, este ano, nomes que não seguem a tradição da linha musical do EDP Cool Jazz - sim, o jazz.

Jacob Collier, uma sensação do YouTube que já ganhou dois prémios Grammy, e os portugueses HMB, consensualmente populares entre o público juvenil, são nomes que expõem a abertura do festival a novas sonoridades, com o intuito de captar espectadores mais jovens.

Mas o exemplo mais flagrante é mesmo Jessie J, a estrela do pop britânico cuja passagem pelos festivais portugueses tem estado marcada pela presença em eventos muito mais mainstream, nomeadamente o Rock in Rio.

Jessie J uma autêntica teen idol e, claramente, a estratégia do EDP Cool Jazz está a surtir efeito: na última noite, o recinto do Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, estava repleto de jovens - sobretudo raparigas - que viajaram dos mais diversos pontos do país para ver a sua heroína.

"A Jessie J é a minha musa desde a adolescência. Vai ser super emocionante vê-la", conta-nos Íris, de 23 anos. A jovem e a irmã Cíntia, de 16 anos, vieram de propósito de Coimbra para ver a cantora britânica. É a primeira vez que vêm ao festival, mas não têm dúvidas de que está bastante "mais apelativo para os jovens".

Também de relativamente longe, arrastado de Santarém para Cascais pela namorada, veio David, de 20 anos. Está cá, igualmente, pela primeira vez para ver Jessie J.

Mas até quem sempre teve o festival à sua beira, aventurou-se a descobri-lo este ano, graças aos cabeças-de-cartaz mais mediáticos. É o caso de Ana e de Antonieta, duas amigas de 19 anos que vivem no Estoril e que só com a vinda de Jessie J puseram os pés no Hipódromo Manuel Possolo.

"Este festival é para pessoas mais velhas, não é muito para a faixa etária dos mais jovens", justifica Antonieta. "O resto [dos artistas do cartaz] não ouço. Nem sequer conheço", confessa Ana.

Mas se a estratégia parece estar a resultar no que toca a trazer novas pessoas para o festival, há também o reverso da medalha. Os espectadores mais antigos e assíduos do EDP Cool Jazz temem que o festival possa estar a perder a sua identidade.

Bernarda, que tem 28 anos, tem vindo a todas as edições do EDP Cool Jazz e defende que "os outros anos têm tido cartazes melhores". "Era impensável ter Jessie J no EDP Cool Jazz há uns anos", comenta, alegando que veio até Cascais para ouvir, sobretudo, a artista de abertura do festival, a portuguesa Maro.

Mas a decisão da organização do EDP Cool Jazz pode não ser, de todo, um tiro ao lado. Se é certo que vêm pela estrela pop que encabeça o cartaz, certo é também que ficam por outros fatores positivos que encontram no festival.

"É um festival muito leve, com uma boa vibe, que dá para conviver e estar na natureza", afirma Íris. "Dá para vir sem ter muito stress", concorda David, para quem o ambiente mais calmo é (ao contrário do se poderia esperar por parte do público jovem) um ponto muito a favor.

Rute, festivaleira de 23 anos, acredita que os tempos mudaram e que jovens querem hoje descobrir um novo universo de festivais de verão. "Hoje em dia, os jovens querem mais outras experiências, sem serem aqueles festivais barulhentos", defende. "Querem conhecer outros artistas, não somente o que está na moda."

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