"Fechar os olhos e cantar." O fado de Miguel Xavier

Ensaio sobre o fado de Miguel Xavier. O jovem de Guimarães atua este sábado no anfiteatro, ao ar livre, da Gulbenkian.

Os aviões cruzam os céus de Lisboa, o barulho passa rente à copa das árvores dos jardins da Fundação. As folhas abanam com o vento. Há um calor sereno. São seis da tarde, e o palco do anfiteatro já nos convida a espreitar.

Esta sexta-feira é dia de ensaio para Miguel Xavier. 24 anos. Um disco. Miguel, para nós, porque os músicos que o acompanham, chamam-lhe um outro nome. Qual é? Ficam-se pelas gargalhadas. Nem às paredes confessam.

Miguel Amaral, guitarra portuguesa, é o " sinaleiro". Quando ouviu Miguel Xavier, pela primeira vez, pressentiu o fado " o lamento". Depois juntaram-se André Teixeira, viola, e Filipe Teixeira, contrabaixo, " ficámos fascinados".

Os três músicos são naturais do Porto, Miguel Xavier nasceu em Guimarães e vive agora em Vila do Conde. O fado entranha-se na vida dele, a ouvir os discos que a avó punha a tocar. A cantar com a avó, que puxava por ele.

Mal percebia as palavras , mas chegava ao sentimento " e ficava a imaginar os fadistas, como eles eram". E depois o que é que fazia?

"Fechava os olhos e cantava". " Como hoje", diz Miguel Amaral, " hoje também só fecha os olhos e canta, e estica assim o peito" e simula o gesto de peito feito.

Os quatro já se afirmam como uma banda. Dispostos a fazer caminho entre o fado tradicional e outros arranjos. "Ele é o mais fado de todos, e nós vamos deturpando, deturpando....", dedilha Miguel Amaral ,e no fim
desabafa Miguel Xavier, " fica tudo tão bonito, tão belo, tão do meu agrado".

O bonito acontece, ali mesmo na berma do palco, " O Tejo corre no Tejo". E ele canta mesmo de olhos fechados.

Sem esquecer os elogios de Camané e o toque cénico de Ricardo Pais, porque "os olhos também ouvem".

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