Irreverente na literatura e na vida. Publicou mais de 50 obras e encontrou o marido num anúncio de jornal

Agustina Bessa-Luís morreu, esta segunda-feira, aos 96 anos. Portugal perdeu um dos maiores vultos da História da Literatura Portuguesa. Mas quem foi Agustina?

Agustina Bessa-Luís, nasceu sob o nome de Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa, a 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante.

Foi autora de mais de meia centena de obras, entre romances, contos, peça de teatro, biografias, crónicas de viagem, ensaios, livros infantis e guiões para televisão. A sua obra foi traduzida para alemão, castelhano, dinamarquês, francês, grego, italiano e romeno.

Com 10 anos foi estudar para o Porto, onde viveu quase toda a sua vida.

Casou-se a 25 de julho de 1945, com o advogado Alberto Luís (falecido em 2017), que conheceu através de um anúncio no jornal publicado pela própria, no qual procurava "uma pessoa culta" com quem se corresponder. Teve uma filha, Mónica Bessa-Luís Baldaque, fruto deste casamento.

Estreou-se como romancista em 1949, com a obra "Mundo Fechado". Em 1951, venceu os Jogos Florais do Minho com o conto "Civilidade", ao qual concorreu usando como pseudónimo o nome do seu marido.

Mas foi o romance "A Sibila", publicado em 1954, que lhe trouxe o reconhecimento.

Vários dos seus romances foram adaptados ao cinema, pelo realizador Manoel de Oliveira - com quem manteve durante muitos anos uma relação de amizade -, como "Fanny Owen" ("Francisca", 1981), "Vale Abraão" (filme homónimo, 1993), "As Terras do Risco" ("O Convento", 1995) e "A Mãe de um Rio" ("Inquietude", 1998). O romance "As Fúrias" foi adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

Além da obra literária, Agustina Bessa-Luís dedicou-se também à imprensa e ao teatro. Foi diretora do jornal O Primeiro de Janeiro, entre 1986 e 1987, e diretora do Teatro Nacional D. Maria II, entre 1990 e 1993.

Foi ainda membro do Conselho Diretivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma), da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.

Em 2005, recebeu o doutoramento honoris causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e, em 2018, o doutoramento honoris causa pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que realizou um ano de homenagem à escritora.

Foi distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a 9 de abril de 1981, e elevada ao grau de Grã-Cruz da mesma ordem, a 26 de janeiro de 2006.

Venceu o Prémio Eça de Queirós (1954), o Prémio Ricardo Malheiros (1966 e 1977), o Prémio Nacional de Novelística (1967), o Prémio D. Dinis (1980), o Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (1981), o Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB (1983 e 2001), o Prémio Seiva de Literatura (1988), o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários (1992), a Medalha de Mérito Cultural (1993), o Prémio União Latina de Literaturas Românicas (1997), o Globo de Ouro (2002).

Em 2004, recebeu a mais alta distinção da literatura portuguesa, o Prémio Camões.

A última obra da autora, "A Ronda do Noite", foi publicada em 2006. Desde então, Agustina Bessa-Luís deixou de escrever e retirou-se da vida pública, por questões de saúde.

A biografia da escritora, "O Poço e a Estrada - Biografia de Agustina Bessa-Luís", da autoria de Isabel Rio Novo, foi publicada já este ano.

Agustina dizia que "escrever é um imperativo". "Nasci para isso e portanto o que está para além disso já não me pertence."

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