Pedro Ramalho: 60 anos de arquitetura em dez obras

O arquiteto formado na Escola do Porto doou, há pouco mais de meio ano, o seu acervo à Casa da Arquitetura, que é constituído por centenas de objetos que retratam uma carreira que teve início nos anos 60 do século passado.

Foi a partir deste conjunto que o curador Nuno Brandão da Costa ergueu a exposição "Orgânico Racional", com dez obras em destaque.

Gosta de recato, discrição, e compromisso. Rejeita o excesso e a ostentação. "Não sou muito pela exuberância. Prefiro a discrição".

Para Pedro Ramalho, "cada um de nós é arquiteto à sua maneira e esse ser arquiteto releva de uma história pessoal". A sua história é a de um arquiteto, que desenhou casas de habitação e edifícios e equipamentos públicos. Sempre apreciou as obras de maiores dimensões. "Sempre gostei muito da grande composição, com alguma complexidade, como por exemplo a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto(FEUP), ou o conjunto habitacional das Sete Bicas".

Em novembro do ano passado, Pedro Ramalho doou o seu acervo à Casa da Arquitetura, em Matosinhos. Foi a partir desta coleção de centenas de objetos - entre maquetes, fotografias, diapositivos e cartazes, que se construiu a exposição "Orgânico Racional", com curadoria de Nuno Brandão Costa. Um título no qual, o arquiteto se reconhece porque "quando comecei a projetar estava muito evidente essa relação com o organicismo, mas nunca perdi a ideia de racionalidade".

Pedro Ramalho formou-se na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 1968, onde deu aulas até 1984. No ano seguinte, transferiu-se para a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, onde lecionou durante quarenta anos. Antes mesmo de terminar o curso, em 1962, deu início à atividade ao desenhar uma casa de habitação, no Porto. Foi o seu primeiro projeto e o primeiro desafio - um terreno pequeno para um projeto ambicioso. "Estava tão convencido que não tive angústia nenhuma".

A exposição Orgânico Racional reúne uma seleção de dez obras, construídas ao longo das últimas décadas. Começando nos anos 60 até aos dias de hoje. "Esta exposição é uma visão muito particular do curador, que com dez obras consegue traçar o meu percurso, com uma visão diferente do habitual. Normalmente, as obras mais divulgadas são a FEUP, a recuperação do Teatro Rivoli ou a Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão".

O conjunto de dez obras formam o retrato da variedade de tipologias de projetos e escalas de Pedro Ramalho, que trabalhou com várias autarquias. Pouco depois do 25 de Abril, o arquiteto participou no SAAL, Serviço de Apoio Ambulatório Local, o projeto de habitação social, instituído três meses após a revolução dos cravos e que pretendia dar habitação digna, à população mais desfavorecida. Envolveu arquitetos, artistas e movimentos de moradores. "Foi marcante pelo momento que se vivia".

A partir daqui ganham preponderância na obra de Pedro Ramalho, os projetos de habitação coletiva, como o conjunto das Setes Bicas, no concelho de Matosinhos, cuja planta pode ser vista na exposição, na Casa da Arquitetura. A mostra "Orgânico Racional" inclui ainda maquetes e fotografias das dez obras selecionadas e pode ser vista até 8 de setembro.

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