"José Mário Branco para mim era um mágico"

O médico e guitarrista de Zeca Afonso, Rui Pato, recorda José Mário Branco - que morreu, esta terça-feira, aos 77 anos - como um homem "de convicções fortes", com um talento irrepetível.

Um "homem mágico", "de esquerda" e com a capacidade de transformar qualquer canção "numa obra de arte". É assim que Rui Pato, médico e guitarrista de Zeca Afonso, recorda José Mário Branco no dia da morte do cantor de intervenção. Em entrevista à TSF, o músico revela que esteve há pouco tempo, no Estoril, com o artista que morreu esta terça-feira aos 77 anos e a conversa entre os dois girou em torno de outro vulto da música portuguesa: Zeca Afonso.

"José Mário Branco para mim era um mágico, ou seja, qualquer canção que lhe caísse nas mãos ele transformava-a, fazia dela uma obra de arte. Nunca vi ninguém que tivesse tanto talento para conseguir fazer um arranjo a uma canção. Aquilo que ele fez com o Zeca [Afonso] foi um trabalho notável. O Zeca não seria aquilo que é para todos nós se não tivesse sido aquela volta completa que o Zé Mário Branco fez na obra dele", começa por dizer o guitarrista.

Rui Pato defende ainda que "não é uma frase batida dizer que a música portuguesa fica muito mais pobre". A morte de José Mário Branco é para o guitarrista "uma irreparável perda para a música portuguesa", uma vez que, na sua visão não há ninguém "com a capacidade que ele tinha: tanto podia ir para o fado, como podia ir para a canção ligeira, para tudo".

A música de José Mário Branco é, hoje, um símbolo da luta pela liberdade, que valeu ao cantor alguns desafios duros: "Era um homem de convicções fortes, era um homem de luta, por vezes, até passou por períodos em que criou algumas inimizades, por parecer tão sectário. Nunca conseguiu separar-se desse seu pendor político. Passou por muito, passou pelo exílio, pela cadeia. Era um homem duríssimo", recorda Rui Pato.

Se tivesse de escolher uma música que melhor definisse o músico de intervenção, Rui Pato escolheria "A queixa das almas jovens censuradas", um poema de Natália Correia interpretado por José Mário Branco.

"É muito bonita, muito bem interpretada, muito bem construída, como tudo o que ele fazia. Onde ele punha a mão era de uma perfeição, de um profissionalismo e de um rigor incrível", remata.

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