José Pedro Castanheira vence Grande Prémio de Literatura de Viagens da APE

O livro "Volta aos Açores em Quinze Dias" parte de uma viagem a bordo de um veleiro com cinco tripulantes - José Pedro Castanheira, família e amigos.

O livro "Volta aos Açores em Quinze Dias", do jornalista José Pedro Castanheira, editado pela Tinta-da-China, venceu o Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga, anunciou esta quinta-feira a Associação Portuguesa de Escritores (APE).

De acordo com o júri do prémio, coordenado por José Manuel Mendes, "Volta aos Açores em quinze dias. Diário de Bordo de uma viagem para (Não) esquecer" é um "diário de bordo", mas o que "à partida poderia parecer um formato algo limitado, acaba por ultrapassar o mero jornalismo (ainda que o mais brilhante) para se transformar na partilha com o leitor, sempre interpelado, de uma experiência rica de convivências humanas e não só, das mais elementares às mais profundas".

"Ao longo desta aventura náutica, cheia de peripécias, contratempos, ameaças (que vão do irónico ao aterrador), o jornalista vai-se transformando no Narrador assumido, no 'cronista' nada 'reformado', em contradição absoluta com a expressão que a dado passo utiliza para se qualificar. Ironicamente, claro", lê-se ainda na ata do júri.

O júri, constituído ainda pelos professores e investigadores Cândido Oliveira Martins, Guilherme d'Oliveira Martins e Paula Mendes Coelho, atribuiu o prémio por unanimidade.

Um prémio que foi uma surpresa

"Nunca pensei escrever um livro, nem em candidatar-me e ainda por cima, ganhei", afirma, a rir, José Pedro Castanheira. Em declarações à TSF, o autor considera que este prémio é um "conjunto de circunstâncias fortuitas". O "diário de bordo", que no início se destinava a ser lido apenas por amigos, deu origem ao livro desta viagem realizada pelas ilhas açorianas a bordo de um veleiro. "A coisa ganhou dimensões imprevisíveis por duas razões: por um lado pelo mau tempo que tivemos, com uma sucessão de tempestades que deram alguma pimenta à viagem", relata. Por outro, porque "já quase no final da viagem apanhei Covid", lembra com humor o antigo jornalista do Expresso.

A editora Tinta da China insistiu em candidatar o livro que é um "conjunto de reportagens", com a descrição das peripécias da viagem.

As tempestades não permitiram que José Pedro Castanheira e os restantes quatro tripulantes do veleiro fossem à Ilha Graciosa e agora que recebeu a distinção, o autor garante que vai guardar parte do prémio monetário - 12.500 euros - para fazer nova tentativa.

"Nunca consegui ir à Graciosa, conheço todas as ilhas, por exemplo até o Corvo, que é a mais afastada e mais isolada, e fui lá três ou quatro vezes quase sempre quando estava a trabalhar em reportagem no Expresso", conta. "A Graciosa não conheço e portanto vou seguramente lá", assegura. Garante também que parte do prémio será destinada a "investir" em viagens para os três netos, de modo a dar-lhes a conhecer as belezas dos Açores.

Nesta 6.ª edição da Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio da Câmara Municipal de Braga, concorreram obras publicadas no ano de 2022.

No ano passado, o vencedor deste prémio foi António Mega Ferreira, com "Crónicas italianas".

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