Mia Couto, "O Caçador de Elefantes Invisíveis"

"Olhar para o que não está imediatamente visível". São estes os faróis de Mia Couto, é aí que ele caça as estórias. Depois, na viagem para o papel, encontramos as personagens que dão vida ao conto.

Há o menino que caminha com ombros mendigos, o pai que tem um sol debaixo das pálpebras, a mãe que carrega toda a tristeza do mundo nos olhos. Há fumadoras de estrelas, um país sem nome e um colóquio de pedras. Há em cada conto, um pedaço de chão e de gente. "O Caçador de Elefantes Invisíveis" é como um mapa. 26 contos achados no mundo que é o território de Moçambique.

"O caçador sou eu", diz a páginas tantas Mia Couto. O escritor e biólogo que percorre o país e procura o que não está imediatamente visível: "Temos a ciência, temos a verdade a nosso favor, e os outros são coitados, atrasados. Há um julgamento de valor. Fazem parte do folclore e da paisagem."

Mia Couto dá tempo às personagens: "Ali a noção de tempo é importante. Só para saudar é uma hora. É preciso estar disponível." E assim viajamos, seguindo as luzes e as palavras do escritor que acendem os 26 contos.

Da Covid-19, ao movimento que derrubou estátuas, dos refugiados a outras doenças invisíveis, como a solidão ou o medo. As estórias são derramadas em 172 páginas.

O que se diz e o que se escuta, é neste entretanto, que Mia Couto traduz todo um país: "Nem toda a gente tem Internet. Nem toda a gente tem água em casa. Nem todas as meninas terminam a escola."

O livro editado pela Caminho, apura uma seleção de crónicas, escritas durante a pandemia, para a revista Visão. Na capa, ilustração de Susa Monteiro, o caçador viaja de bicicleta, "como quem empacota coisas para partir para um outro mundo". Mia Couto é também um sonhador de estórias.

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