Morreu Pedro Gonçalves, dos Dead Combo

Contrabaixista foi um dos fundadores da banda, em 2003.

Pedro Gonçalves, o contrabaixista dos Dead Combo, morreu este sábado aos 51 anos, em casa, apurou a TSF junto de fonte da banda. O músico lutava contra um cancro há já vários anos e o agravamento do estado de saúde levou mesmo a banda a cancelar, no início de novembro, os concertos que tinha agendados até ao final deste ano.

O músico era contrabaixista, mestre da guitarra elétrica e fazia dupla com Tó Trips na banda que já tinha anunciado o fim a 1 de outubro de 2019. Os Dead Combo prometeram então que se despediriam dos palcos com uma série de concertos em vários pontos do país, projeto que a pandemia driblou.

A banda nasceu em 2003 e lançou seis álbuns. O último foi em 2018 com o título: "Odeon Hotel".

Nascido em Lisboa, em 1970, Pedro Gonçalves é reconhecido sobretudo como um dos fundadores, uma das metades, dos Dead Combo.

Para lá da vida dos Dead Combo, Pedro Gonçalves também foi produtor, tendo trabalhado, por exemplo, com Aldina Duarte e Mazgani, chegou a fazer parte do grupo Ladrões do Tempo, liderado pelo guitarrista Zé Pedro, atuou ainda com Ana Deus e Alexandre Soares, gravou para Rita Redshoes e Soaked Lamb, trabalhou também com Sérgio Godinho, entre outros músicos.

Sobre os Dead Combo, Pedro Gonçalves e Tó Trips referiam-se a "uma descoberta, uma grande amizade, um diálogo musical".

Em novembro passado, José Morais confirmava à Lusa o cancelamento dos 15 concertos que estavam previstos para esse mês e para dezembro, precisamente pelo agravamento do estado de saúde do músico.

No virar do século, Pedro Gonçalves, vindo do jazz, com formação no Hot Clube de Portugal, e Tó Trips, do universo do rock, começaram a ensaiar juntos, depois de se terem cruzado no final de um concerto do músico Howe Gelb, em Lisboa.

Em 2003 gravaram uma música, "Paredes Ambience", para uma compilação dedicada a Carlos Paredes, e perceberam que tinham afinidades que poderiam dar frutos, apesar de estarem em paralelos distintos da música independente.

Assumindo duas personagens - um cangalheiro e um gangster -, a dupla criou para os Dead Combo temas nos quais ecoa música portuguesa, africana e americana, registada em álbuns como "Dead Combo - Quando a alma não é pequena", "Lusitânia Playboys", "Lisboa Mulata" e "Odeon Hotel".

"Um dos problemas é não saberem bem onde nos encaixar: no rock, na alternativa, na world music. Têm tendência para associar a música ao fado e não tem nada a ver. Também associam à música do [Ennio] Morricone, a Tim Burton, à cidade de Lisboa", diziam ambos em entrevista à agência Lusa em 2013, quando completaram dez anos de carreira.

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