Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém reabrem com limitações

Na Torre de Belém só será possível visitar metade do espaço. A diretora dos monumentos diz à TSF que espera uma redução significativa do número de visitantes.

O Dia Internacional dos Museus que se assinala na próxima segunda-feira marca também a reabertura de dois dos mais emblemáticos monumentos do país. O Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, ambos património mundial, voltam a receber visitantes mas com algumas limitações de higiene e segurança impostas pela pandemia de Covid-19.

A alteração mais significativa ocorre na Torre de Belém onde apenas vai ser possível visitar a parte mais baixa do espaço, o baluarte e o seu terraço. "Não podemos abrir a parte alta da torre", revela à TSF a diretora dos dois monumentos. Dalila Rodrigues explica que devido à exiguidade das escadas (que não permitem circulação simultânea nos dois sentidos), "não é possível higienizar" o sistema de circulação pelo espaço.

No Mosteiro dos Jerónimos, o acesso será limitado a "um visitante por cada 25 metros quadrados" e a igreja, que é de acesso gratuito, "vai ter um circuito especial" para visitas.

Ambos os monumentos vão funcionar nos horários habituais, mas com "uso obrigatório de máscara" e "obrigatoriedade de respeitar 2 metros de afastamento", incluindo nas filas para a entrada. São medidas que vão "obrigar a reduzir significativamente" o número de visitantes. No entanto, Dalila Rodrigues acredita que nesta primeira fase, enquanto as fronteiras permanecem fechadas e os circuitos turísticos internacionais não retomam a atividade,, será o público português a visitar aqueles espaços.

O Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém são visitados anualmente por cerca de 9 milhões de pessoas. A paragem de dois meses - os espaços encerraram a 13 de março - terá provocado uma perda de receitas na ordem de 1,5 milhões de euros, até porque se perderam as visitas do período da Páscoa, altura em que as receitas são "uma loucura".

Apesar do encerramento ao público, os dois monumentos "tiveram sempre ocupação humana" porque foram alvo de alguns melhoramentos. "Nos Jerónimos reparámos os sistemas de irrigação, estamos a recolocar água no claustro, a reparar estruturas e a fazer pequenos trabalhos de revalorização", resume a Dalila Rodrigues, que assumiu a direção do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre há exatamente um ano.

A professora de História de Arte faz um "balanço positivo" deste primeiro ano de gestão, sublinhando que até à crise da Covid-19 esteve focada na conservação dos monumentos "que precisam de atenções permanentes" e na "gestão do afluxo" de visitantes para que a visita fosse "uma experiência de fruição e conhecimentos" e não "uma penitência, um tormento". Mas agora "tudo tem de ser repensado e reconsiderado" porque a pandemia "veio alterar radicalmente o modo como trabalhamos e como temos que olhar para os monumentos".

Questionada sobre os efeitos práticos do novo regime jurídico dos museus, monumentos e palácios - que entrou em vigor em janeiro com o objetivo de dar mais autonomia de gestão aos diretores - Dalila Rodrigues diz que "na prática nada mudou" até agora. A responsável sublinha que a Direção-Geral do Património Cultural "tem trabalhado de forma muito direta e empenhada com todos diretores" e adianta que tem tido "o maior apoio da tutela". Falta saber quando serão adotadas medidas concretas e facilitadoras da gestão dos monumentos. "Aguardamos com expectativa que as condições gerais permitam que esse passo decisivo e muito importante se torne efetivo", conclui.

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