Museu do Vitral reflete os mais de 100 anos de história do Atelier Antunes

João Aquino Antunes, o último artista do atelier de vitrais mais antigo do país, é a figura central do novo museu da cidade do Porto.

São mais de 100 anos de história que estão refletidos no Museu do Vitral, que abriu no Porto. A Casa da Vandoma, a poucos metros da Sé, acolhe uma amostra das centenas de obras que compõem o espólio do Atelier Antunes - o produtor de vitrais mais antigo do país. A arte feita em vidro está em vias de extinção na família Antunes, mas o legado ganha uma nova vida com a criação do museu.

Fundado em 1906, o Atelier Antunes já fez mais de 800 obras. A luz e as cores dos vitrais irradiam agora para dentro da casa da Vandoma. João Aquino Antunes, o último pintor português que dedicou a sua vida aos vitrais, e também o último artista que resta do atelier centenário, é a figura central do museu, mas é o afilhado, João Ricardo Dias, que guia a TSF por algumas das mais importantes obras expostas.

No Museu do Vitral é possível ver desde peças figurativas "de caráter mais religioso", a vitrais abstratos, como é o caso do Requiem de Vilarinho, "um dos favoritos" de João Aquino Antunes, revela o afilhado.

As peças são redondas e retilíneas, podendo ter largos metros de envergadura. Uma "arte de tranquilidade", minuciosa, que requer "muita calma e paciência" na escolha dos azuis, dos verdes ou dos vermelhos - ou então dos outros tons que escapam à primeira vista e que pintam as paredes brancas do museu.

No interior é possível visitar maquetes, réplicas e originais, uma pequena amostra do que o Atelier Antunes deixou em casas ou edifícios públicos no estrangeiro, mas também em Portugal. A primeira obra do estúdio está na Igreja dos Congregados, no Porto, e, entre outras criações, a família Antunes é responsável pelos vitrais da Igreja Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, ou pelo restauro das obras que existem no Mosteiro dos Jerónimos.

A ideia de criar um museu surgiu numa conversa entre o vitralista João Aquino Antunes e o pintor Júlio Resende. Com o museu, é possível eternizar uma arte que não vai ter mais criadores na família Antunes.

"A minha função agora é perpetuar o espólio de mais de 100 anos", explica João Ricardo Dias. "O grande artista [João Aquino Antunes], infelizmente, embora ainda dê boas ideias, já não pode desenhar".

Atualmente com 82 anos, João Aquino Antunes, deixou de trabalhar há 5 anos e já teve oportunidade de visitar o Museu que lhe presta homenagem. A avaliação é positiva, diz o afilhado, que espera ver o padrinho entrar de novo pela porta da Casa da Vandoma.

"O objetivo do meu padrinho foi deixar algo para a nossa cidade", confessa João Ricardo Dias. O museu é, por isso, uma declaração de amor ao Porto, com a particularidade de se localizar em frente ao local onde está patente a primeira obra da autoria do Atelier Antunes, na Igreja dos Congregados.

Cada visitante do Museu do Vitral tem direito a um cálice de vinho do Porto, resultado da parceria com o grupo The Fladgate Partnership, que é responsável pela curadoria e pela exploração do Museu, em estreita ligação com a família de João Aquino Antunes.

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