Em Miranda as gaitas de fole, a flauta pastoril e o tamboril são utensílios que contam histórias
Cultura

Museus de Miranda do Douro e Zamora fazem recolha de património da música popular

A iniciativa não se fica só pelo passado, mas também pelo que é feito hoje. No final do projeto serão feitas exposições itinerantes em Portugal e Espanha e em 2021 serão também reeditados os cancioneiros tradicionais de Miranda e de Castilha e Leon.

O Museu de Miranda do Douro e o Museu Etnográfico de Castilha e Leon, situado em Zamora, juntaram-se num projeto transfronteiriço para recuperar, conservar e valorizar o património material e imaterial relacionado com a música popular e tradicional de um e de outro lado da fronteira. O projeto já vai a meio e visa transformar os dois espaços em locais do passado com leituras de futuro.

No terreno já estão cinco investigadores. Três do lado espanhol, dois do lado português. "Começaram por identificar os informantes, os protagonistas, as pessoas que fazem música, as pessoas que constroem instrumentos, as pessoas que conhecem o cancioneiro, no sentido de identificar o estado da música atual", salienta Celina Pinto, diretora do Museu Terras de Miranda, em entrevista à TSF.

O projeto não se fica só pelo passado, mas também pelo que é feito hoje, pelas gerações mais novas, acrescenta a diretora do Museu Terra de Miranda, "Também é preciso perceber essas mudanças. Não vamos estar aqui a registar a música na terra de Miranda como se fosse estática, a música é dinâmica e é preciso perceber esta transformação, esta mudança."

E ela é feita de instrumentos. Em Miranda as gaitas de fole, a flauta pastoril e o tamboril são utensílios que contam histórias. "Instrumentos que contam histórias de vida; isto interessa particularmente ao Museu. Trazer para o museu estes objetos para constituir as suas coleções." Tal como um bombo e uma caixa, centenários que já chegaram ao Museu, no âmbito deste projeto, doados por um músico de 86 anos "que toca na banda filarmónica de Miranda desde os 13 anos; serão instrumentos primitivos da fundação da banda e deverão ter entre 120 a 126 anos. São até agora os mais antigos adquiridos nesta fase. Temos expectativas em relação à recolha de outros instrumentos particularmente relevantes", acrescenta Celina Pinto.

A diretora quer que este projeto comum com os espanhóis dê uma roupagem nova às salas do museu transformando-o num espaço vivo e interativo. "Se você puder ouvir o toque do bombo, quem o tocou, de quem é a gaita, a quem pertenceu, que aquela gaita foi utilizada para a padronização, que aquela ponteira é extremamente importante, ou seja, adicionar estes conteúdos antropológicos e musicais, é extremamente importante para o conhecimento da música popular".

No final do projeto serão feitas exposições itinerantes em Portugal e Espanha e em 2021 serão também reeditados os cancioneiros tradicionais de Miranda e de Castilha e Leon.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de