O bairro chegou à aldeia. A Garota Não no Bons Sons

"É o meu segundo dia de uma vida toda", começa por dizer a Garota Não, que pela segunda vez pisa o chão da aldeia de Cem Soldos.

"A primeira foi de passagem, há alguns anos, e agora acabo por estrear-me como artista e como público." Com o último disco na estrada, "2 de Abril", nome do bairro onde nasceu, editado em abril deste ano, Cátia Maziri Oliveira trouxe Bons Sons ao festival da aldeia. "Se eu andar uns anos para trás, a vida no bairro era isto."

A Garota Não não é o exemplo da maior festivaleira. "Une-me a este lugar certamente o amor maior pela música. É uma grande honra subir ao palco Michel Giacometti."

A ligação entre a aldeia e o bairro é-lhe familiar: "E um festival de comunidade, e no bairro 2 de Abril, em Setúbal [onde nasceu e viveu até aos 26 anos] fazíamos todos parte de alguma coisa, uma mesma vulnerabilidade, a miséria algumas vezes, mas também um grande sentido de partilha, e foi uma coisa bonita de aprender ao longo de uma vida, que foram várias vidas."

O sol tórrido das 15h30 não afugentou o público que aqui a quis ver e ouvir, num repertório 'mixado' entre músicas do último disco e do primeiro, "Rua de Marimba, nº7".

"O conceito para um festival é de um tempo mais reduzido e, por isso, juntámos os temas mais ricos dos dois discos. Este festival faz-se de descobertas e quisemos trazer o nosso melhor cardápio."

"Não tenho a ilusão de que uma música mude alguma coisa, mas se de alguma forma uma canção puxa uma conversa, e toca as pessoas é um bom sinal", explica Cátia, respondendo à ideia de a poderem identificar como cantora de intervenção.

"A caixa da música de intervenção é sagrada para mim, a minha música não se conforma, e vive o tempo e a realidade que me rodeia. Quando estamos envolvidos, nada nos passa ao lado." É o caso de 422 ( ainda em composição), o valor dos lucros alcançados pela Galp, e um dos novos temas da artista.

"Nem estou a falar diretamente da guerra, mas sobre os efeitos na nossa vida, e sim, os contextos são sempre a maior fonte da inspiração. Somos todos acionistas, eu digo nessa letra, porque são números avassaladores, eu nem sei o que é ter tanto dinheiro, 422 milhões de lucros."

A Garota Não é um nome artístico que surge num ciclo de música brasileira, onde Cátia fez caminho. A Garota Não, vai continuar na estrada, a partilhar a vida no bairro 2 de Abril.

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