O fim da Seiva Trupe? "É mais provável cair um meteorito na cidade do Porto"

Director da Seiva Trupe admite recorrer aos tribunais caso a companhia fique sem subsídios.

Perante os resultados preliminares e a exclusão dos programas de apoio para as artes, a Seiva Trupe reforça a contestação exigindo o resgate da companhia. O diretor artístico, Jorge Castro Guedes, recusa a atribuição de "migalhas" e ensaia, na TSF, a única saída possível "para a falta de verba" que coloca a Seiva Trupe num patamar elegível, mas fora de competição. Lembrando que a situação não é inédita, Jorge Castro Guedes espera que o Ministro da Cultura, "um homem inteligente e culto", siga o exemplo da antecessora" e bata à porta do Ministro das Finanças. Sem subsídio, admitem contestar nos tribunais.

Primeiro o requerimento hierárquico e, em último recurso, os tribunais. Ainda é cedo para decisões extremas, mas o diretor da Seiva Trupe admite o cenário, caso a companhia que este ano completa 50 anos fique sem subsídios, tendo pontuação elegível. Jorge Castro Guedes é perentório: "A Seiva Trupe não aceita outra decisão que inferiorize os resultados. Queremos acreditar que o senhor ministro fará parte da solução e não estamos a litigar com ele. Temos realizado atividade sustentada e sustentável e não queremos subsídios pontuais. A Seiva Trupe tem 50 anos e não se resigna. É exatamente nesta altura em que os resultados são preliminares que o ministro deve encontrar uma solução que, a exemplo do que fez Graça Fonseca, resgate as companhias que tendo pontuação que as elege, ficaram de fora."

É do reforço de verba que fala Jorge Castro Guedes, remetendo a solução para o ministro das Finanças. "Se o doutor Medina, atualmente ministro das Finanças, ajudou a salvar varias estruturas cénicas de Lisboa, durante a Covid e era Presidente da Câmara, não tem mais agora do que salvar as estruturas cénicas de todo o país."

"É mais provável cair um meteorito na cidade do que alguém acabar com a Seiva Trupe por falta de subsídio. O Porto quando se trata de defender aquilo que é seu ui, ui", defende Jorge Castro Guedes, que tem encontrado conforto no apoio da sociedade civil. Lembrando que este foi o ano em que a Câmara do Porto foi decisiva para encontrar a nova casa da companhia, a Sala Estúdio Perpétuo, o diretor da Seiva Trupe admite "um Porto em revolta", perante um cenário de exclusão que dite o fim da companhia por falta de apoios.

Na semana passada, perante a contestação aos resultados dos concursos geridos pela Direcção-Geral das Artes (DGArtes), nos Programas de Apoio a Projectos para 2023, Pedro Adão e Silva, numa resposta por escrito ao jornal Público, antecipava uma reavaliação ao afirmar: "Compreendo a insatisfação de quem trabalhou numa proposta que, agora, não foi classificada para apoio." E apontava para esta segunda-feira "os termos dos apoios a projetos e a sua dotação", o que "permitirá financiar muitas iniciativas" que ficaram de fora.

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