O Teatro Aberto faz 45 anos e "todos os dias são diferentes"

João Lourenço quer olhar para a frente. O fundador do Teatro Aberto ganhou fôlego com a paragem provocada pela pandemia, "aprendemos a dosear o tempo". 45 anos? "Podem ver a nossa história para trás, mas o que me interessa é ver como é que o teatro vai para a frente".

Estreou-se aos microfones da Emissora Nacional, em 1952, dando voz a um miúdo no folhetim "O Moinho à beira do rio". Tinha 8 anos, e continua fascinado pela rádio, só que a imaginação deu-lhe asas para outros voos. E é no Teatro Nacional, que pisa o palco pela primeira vez, em 1957.

Como encenador, estreia-se em 1973, e este é definitivamente o papel da sua vida.

Hoje, data do aniversário do Teatro Aberto, de que é fundador, junta-se ao público, num encontro online, onde a palavra e as imagens celebram 45 anos. Documentários, inéditos, conversas, a partir das 9 da noite, as portas abrem-se para uma noite virtual de festa, a que decidiram chamar Entrementes.

O Teatro Aberto é um teatro de mulheres

É muito mais fácil trabalhar com mulheres, diz sem hesitar João Lourenço "se as pessoas gostarem do contraditório, como deve ser. Com elas não há lutas de galos, são mais práticas". E a verdade é que nos postos chave do Teatro, estão mulheres. E muita gente nova.

Um roda viva de talento, e de ideias, na qual se diz sentir um eterno aprendiz: "eu não passo testemunho, eu recebo, passo, recebo passo..." O encenador rejeita a ideia feita de que os velhos são mais sábios, "não é nada assim, temos é outra forma de saborear o tempo, porque o tempo anda mais depressa ".

Só eu Escapei

"O espectáculo que eu mais gostei de fazer, até hoje, vou dizer-lhes isso". A declaração de João Lourenço dirige-se a quatro mulheres, quatro actrizes com mais de 70 anos, como exige a autora do texto, a dramaturga Caryl Churchil.

Para João Lourenço, elas representam o teatro português, "são a minha geração e eu nunca me tinha confrontado com a minha geração no palco. São quatro mulheres com mais de 70 anos juntas, e isso é raro".

Márcia Breia, Catarina Avelar, Maria Emília Correia e Lídia Franco dão vida a quatro amigas, que todos os dias se encontram num jardim. Falam da vida e do quotidiano, bebem chá, e é neste quadro de rotinas, que uma delas agita os desconfortos do mundo : a fome, as guerras, as alterações climáticas. É o mundo lá fora, e é ainda assim "um momento muito bonito".

As quatro mulheres juntam-se agora para uma breve conversa na rádio, sobre a idade e o tempo. Sobre esta coisa de ser actriz depois dos 70.

(A autora não segue as regras do novo acordo ortográfico)

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de