Obra sobre a Revolução Liberal de 1820 dá a José Luís Cardoso Prémio do Grémio Literário

Juri considera obra "A Revolução Liberal de 1820" uma narrativa "muito rigorosa dos factos que foram alicerces do nosso atual sistema democrático".

O livro "A Revolução Liberal de 1820", de José Luís Cardoso, publicado este ano pelos CTT-Correios de Portugal, é o vencedor do Prémio Grémio Literário, foi esta terça-feira divulgado.

O júri decidiu também distinguir, com uma Menção Honrosa, a obra "O Culto a Camões e o Mosteiro dos Jerónimos. O Restauro do Monumento no Século XIX", de Clara Moura Soares.

Sobre a obra de José Luís Cardoso, o Grémio, em comunicado enviado à Agência Lusa, refere tratar-se de "uma narrativa, muito rigorosa dos factos que foram alicerces do nosso atual sistema democrático".

A Revolução Liberal, iniciada no Porto, teve como protagonistas Manuel Fernandes Tomás, Ferreira Borges, Silva Carvalho, José Liberato Freire de Carvalho, Sebastião de Brito Cabreira e Bernardo Sepúlveda, e terá tido como catalizador a condenação à morte do diplomata e militar Gomes Freire de Andrade, em 1814.

À revolução não foram alheias as novas ideias, trazidas pelas tropas napoleónicas, de liberdade e contestação ao poder régio absoluto.

"A Revolução Liberal de 1820 estabeleceu uma rutura com as formas tradicionais de organização política, económica e social, características da sociedade de antigo regime, abrindo caminho para a construção de uma monarquia constitucional moderna", lê-se na apresentação da obra, pelo seu editor.

De autoria de José Luís Cardoso, a obra "apresenta o significado e o alcance desta revolução, enquanto momento fundador do constitucionalismo liberal em Portugal, e procura demonstrar a importância deste acontecimento na história contemporânea portuguesa, facultando informação histórica objetiva e sínteses interpretativas, tendo em atenção o legado historiográfico existente", prossegue a apresentação do livro.

José Luís Cardoso foi professor catedrático no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, e é autor de várias obras sobre história do pensamento económico.

Além de diversos artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras, coordenou a edição das "Obras Clássicas do Pensamento Económico Português" (1998), em 20 volumes, e foi o cofundador do "The European Journal of the History of Economic Thought", sendo atualmentem, codirector do "e-journal of Portuguese History".

Sobre o vencedor da Menção Honrosa, "O Culto a Camões e o Mosteiro dos Jerónimos. O Restauro do Monumento no Século XIX", afirma o Grémio Literário tratar-se de um "exaustivo trabalho de investigação, relativamente às obras efetuadas em período romântico, bem como pelo estudo do percurso vivencial do monumento hieronimita no século XIX".

Esta obra foi publicada pela editora Scribe, segundo a qual este título "pretende não só historiar as intervenções executadas ao longo da centúria de oitocentos num dos mais emblemáticos edifícios portugueses do século XVI, decorrentes em boa medida da adaptação do edifício a orfanato da Casa Pia de Lisboa, como analisar os fundamentos para as opções e para os critérios adoptados.

Clara Moura Soares concluiu o mestrado em Arte, Património e Restauro, com a dissertação "A Lavra das Pedreiras e o estaleiro das obras de restauro do Mosteiro de Santa Maria da Vitória no século XIX", em 1999, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se se doutorou, em 2006, com uma tese intitulada "As intervenções oitocentistas do Mosteiro de Santa Maria de Belém: o sítio, a história e a prática arquitetónica".

Moura Soares é também autora de "A Igreja de Santa Engrácia no Campo de Santa Clara" (2019), "Reis e Heróis. Os Panteões em Portugal" (2018) e "Almeida Garrett. O Homem e a Obra" (2016).

A cerimónia de entrega do Prémio - uma estatueta da autoria do artista plástico José de Guimarães, sócio do Grémio - realiza-se na quarta-feira, às 19:00, no Grémio Literário, em Lisboa.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de