Obras de arte de Serralves vão estar mais acessíveis. Não vão para a rua mas para universidades

Alfredo Queiroz Ribeiro e Mona Hatoum são dois dos nomes em destaque. Iniciativa tem o condão de democratizar o acesso à arte, em especial para o público do ensino superior, em tempos de pandemia.

Studentato, um termo italiano para a vida de estudante, não só académica como interdisciplinar, de trocas de experiências e de encontro, serve de mote para o encontro entre o mundo académico e o vasto universo da cultura. Para a Fundação de Serralves, salienta a curadora Joana Valsassina, a exposição enunciada com sonoridade latina concretiza uma "aproximação", que já se iniciara "antes deste contexto que estamos a viver": ter a cultura e a arte no quotidiano da vida académica.

Retomar o ritmo dos dias é fazer renascer "a arte da vida, embora haja tanto desencontro pela vida", uma lição que Vinícius encetou e nesta altura se revela ainda mais premente. Joana Valsassina considera que esta foz que entrelaça cultura e academia contribui para "marcar o regresso dos estudantes, depois de uma ausência prolongada".

E a arte do encontro não se estanca nesse convívio, também na escolha das obras que poderão ser admiradas em faculdades do Porto a convergência existe. "Tentámos encontrar obras que tivessem uma ligação em termos de diálogo com as diferentes áreas do saber e com os diferentes espaços em que se inserem."

"O edifício da Faculdade de Economia é muito marcante e tem uma arquitetura tão impressionante que nos fez sentido criar um diálogo entre mestres do moderno", exemplifica a curadora, sobre a sinuosa obra Curvatura (de 1970), da autoria do artista Zulmiro de Carvalho.

A Federação Académica do Porto assinala que a parceria com a Fundação Serralves, para reunir o espólio e fazê-lo imergir nas instalações das Faculdades de Economia, de Engenharia, do Instituto Superior de Engenharia do Porto e da Universidade Católica, é uma forma de "fornecer oportunidades aos estudantes". Marcos Alves Teixeira defende a necessidade de trazer a cultura para um lugar de indispensabilidade, sobretudo quando as carteiras das famílias foram largamente afetadas pela crise pandémica. E esse compromisso pode começar na academia, substancia. "O confinamento já nos tirou muito, e sabemos que os jovens sofreram um impacto muito grande, também em termos de saúde mental."

"Numa fase em que fomos obrigados a ficar fechados em casa e em que questionamos se voltaremos a estar ou não, temos de nos refugiar, e a verdade é que as pessoas se refugiam na cultura", lembra o representante da Federação Académica do Porto."Tudo o que possamos fazer para incutir nas pessoas o gosto pela cultura será sempre positivo." Marcos Alves Teixeira faz também questão de lembrar que "a cultura é uma parte muito importante do que é ser estudante do ensino superior" e que "tem uma dimensão muito importante no acolhimento aos estudantes nos lugares onde vêm estudar, no desenvolvimento do seu espírito crítico, da sua sensibilidade e da aceitação de pontos de vista distintos dos seus, fundamentais para um jovem que se quer cidadão".

A exposição Studentato, Obras da Coleção de Serralves na Academia do Porto, estará patente em várias faculdades da academia do Porto até 31 de janeiro.

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