Festival Músicas do Mundo

Omara, "Bésame Mucho". A noite em que a diva cubana se despediu de Portugal

Um momento simbólico na história do Festival Músicas do Mundo. Omara Portuondo passou por Sines, na última digressão da cantora por terras distantes. Como uma rainha, cantou sentada num cadeirão de verga, qual trono digno de uma rainha que antes mesmo de chegar já tinha conquistado os súbditos que encheram o castelo para a ver por uma última vez... "Quizás?"

Amparada pelo filho e pelo músico José Portillo, director musical desta última digressão, Omara Portuondo tomou todo o tempo da idade até ocupar o cadeirão instalado junto ao piano. Acenou ao público antes de se sentar, e a magia começou. Ao longo de uma hora, a diva cubana, com 91 anos, embalou o público com o feeling de uma voz ainda afinada, e a noite iluminou-se de duetos no castelo de Sines.

Yusmari Dias Perez, embaixadora de Cuba em Portugal, subiu ao palco no final do concerto com um ramo de flores, vermelhas, brancas e azuis, as cores da bandeira nacional.

"Omara é um símbolo de cubania", explicava à TSF a jovem diplomata que está em Portugal desde Fevereiro, e não poderia faltar ao concerto. "Estando no país e sabendo que Omara vinha ao Festival, tinha de vir, primeiro porque sou cubana, depois porque lhe devo esta homenagem."

Este foi o segundo concerto na Europa da digressão de despedida daquela que é a diva de todos os cubanos, "um dos momentos mais importantes da sua carreira, seja ou não a última digressão", enfatiza a embaixadora de Cuba, que também cantou na plateia com o público.

"A cultura também une os povos e este festival é um exemplo disso." Estando há pouco tempo em Portugal, Yusmari Dias Perez pressente já as semelhanças entre os dois países: "Há muito em comum entre os dois países, por gostarem de música e por falarem muitas vezes com o coração. Foi o que Omara fez hoje."

De Quizás a Bésame Mucho, "como se fuera esta noche la última vez".

A digressão segue em Madrid, Bruxelas e Málaga.

Omara Portuondo tem já pronto "Vidas", um novo disco de duetos que será lançado em breve, e promete voltar a estúdio com outros projectos.

Inatel: a tradição que toca outra música nas ruas do FMM

Mal terminava o concerto das seis da tarde no Castelo de Sines, a festa saía à rua.

A partir das sete da tarde, Francisco Madelino, Presidente da Fundação Inatel, tomava assento nas escadinhas da Igreja, por onde haveriam de passar Concertinas e Cabeçudos do Alto Minho, o grupo Al-Fanfare do Algarve, a Banda às Riscas do Porto e a Associação de Zés P'reiras de Antas.

A partir das sete da tarde, subiam a rampa que liga os dois palcos de Sines e percorriam as ruas circundantes ao castelo, levando a tradição mais portuguesa ao Festival Músicas do Mundo. Foi a animação que o Inatel trouxe para a edição deste ano. Sentemo-nos na escada e escutemos os Zés P'reiras, que no último dia fizeram soar os bombos e as gaitas de fole pela cidade. Depois conversamos com Francisco Madelino, em jeito de balanço sobre a edição 22 do FMM Sines.

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