"Operários da Cultura Viste?" O mapa da construção do Bons Sons

João Gigante, o homem do projeto Phole toca outra música neste festival.

Para lá da concertina que traz ao último dia do Bons Sons, é o autor da exposição de fotografia patente na casa sem teto Amália. Ali estão as imagens registadas nos dias anteriores ao festival, fotocópias dum trabalho "singular e único", em vários tamanhos e escalas "e que agora habitam as paredes duma casa em ruínas". E com vista desafogada para o Largo da aldeia de Cem Soldos.

É uma casa muito engraçada, não tem teto, não tem nada, mas tem vida nova com as fotocópias que pintam agora as paredes das ruínas" a ideia era documentar todo o processo e fazer um mapa do trabalho. Da mesma forma que o festival habita a aldeia, as fotografias habitam as paredes, como se estivessem dentro da parede", explica o artista João Gigante, homem que toca a concertina com o mesmo entusiasmo que se dedica à fotografia documental.

Cerca de uma centena de fotocópias espalhadas pelas paredes da casa sem teto Amália, ilustram o entusiasmo e a dedicação da comunidade e dos voluntários que erguem este festival.

"Fui fotografando, imprimindo e encravando a máquina da Associação, porque foram muitas impressões. O trabalho foi feito com os voluntários, cada movimento do colar a foto à parede, é outro processo de transformação", explica João Gigante, guiando o olhar e os passos do visitante, poucos minutos depois da inauguração.

A escolha pelo preto e branco tem um propósito, "assume um contraste com a casa em ruínas e é essa a estética da fotocópia", por outro lado há a impressão "com descuido" deixando marcas e dando nova vida ao olhar do fotógrafo.

À entrada, a escala maior exibe o olhar dum homem empoleirado num escadote: "A quantidade de escadotes espalhados por Cem Soldos sempre me impressionou, e aqui sobra o olhar quase suspenso de quem se empoleira e olha no sentido da exposição."

Um convite colado à parede, num trabalho desenhado com os voluntários que explode em vários tamanhos e escalas, ao longo dos vários espaços da casa, e que nos levam até ao piso superior da casa sem teto Amália: "O trabalho documental é esse de operar para que exista cultura, o mais interessante é ter percebido a dinâmica, forte, especial e única deste festival."

E na segunda-feira, último dia do festival, pode ainda ver e ouvir João Gigante com a sua concertina "abstrata e romântica". Esse é o outro "Phole" que o traz até à aldeia de Cem Soldos.

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